Violência Doméstica: Identificação e Manejo na UBS

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Maria Lisboa, 42 anos, chega ao consultório para avaliação de dor abdominal crônica. Frequentemente está na UBS com a mesma  queixa, mas as investigações sempre foram negativas. Ao exame, seu abdome é macio e não há sinais peritoneais. Não tem lesões cutâneas, mas apresenta uma lesão purpúrea lateral à orbita esquerda. O melhor próximo passo no manejo é

Alternativas

  1. A) encaminhar à psiquiatria.
  2. B) solicitar uma radiografia abdominal.
  3. C) excluir hemorragias antes de indagar sobre situações de violência doméstica.
  4. D) perguntar à paciente sobre abuso físico e fornecer informações sobre serviços locais de apoio.
  5. E) perguntar à paciente sobre abuso físico e notificar as suspeitas à polícia local.

Pérola Clínica

Dor abdominal crônica sem causa + lesão suspeita → rastrear violência doméstica e oferecer apoio.

Resumo-Chave

Em casos de queixas inespecíficas e recorrentes, especialmente com achados físicos sugestivos (como lesões sem explicação), é crucial considerar e rastrear ativamente a violência doméstica, oferecendo apoio e recursos à vítima.

Contexto Educacional

A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com alta prevalência e impacto significativo na saúde física e mental das vítimas. Manifesta-se frequentemente através de queixas somáticas inespecíficas e recorrentes, como dor abdominal crônica, cefaleias e fadiga, que podem mascarar a causa subjacente e dificultar o diagnóstico. O diagnóstico de violência doméstica requer alta suspeição clínica, especialmente em pacientes com histórico de múltiplas consultas por sintomas vagos e exames negativos. A presença de lesões físicas sem explicação clara ou em locais atípicos (face, pescoço, tronco) deve levantar a bandeira vermelha. A abordagem deve ser empática, confidencial e não julgadora, perguntando diretamente sobre a possibilidade de abuso em um ambiente seguro. O manejo envolve a validação da experiência da vítima, a garantia de segurança e o fornecimento de informações sobre recursos e serviços de apoio locais (psicológico, jurídico, abrigos). A notificação policial deve ser discutida com a paciente e, em geral, não é a primeira medida sem o consentimento dela, a menos que haja risco iminente à vida, priorizando sempre a autonomia e segurança da vítima.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para violência doméstica em pacientes?

Sinais incluem queixas somáticas inespecíficas e recorrentes (como dor abdominal crônica), lesões sem explicação ou em locais atípicos, atraso na busca por atendimento, isolamento social e mudanças comportamentais.

Qual a abordagem inicial para suspeita de violência doméstica?

A abordagem inicial é perguntar diretamente à paciente sobre abuso físico em um ambiente seguro e confidencial, validando sua experiência e oferecendo apoio e informações sobre serviços locais de suporte.

Por que é importante rastrear violência doméstica em queixas crônicas?

Queixas crônicas e inespecíficas podem ser manifestações somáticas de estresse e trauma decorrentes de violência. O rastreamento ativo é fundamental para a saúde integral da paciente e para prevenir agravos.

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