SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2019
Mulher, 30 anos, é acolhida por enfermeira em consulta de demanda espontânea em Unidade Básica de Saúde (UBS) devido queixa de insônia. Durante a consulta, a paciente começa a chorar, diz que se sente humilhada e se queixa de discussões constantes com seu marido. Este é etilista crônico e provedor financeiro da casa. A enfermeira decide desenhar um ecomapa para entender melhor a situação. Observando o ecomapa a seguir, qual seria a melhor abordagem para o caso?
Violência doméstica → plano de segurança individualizado + rede de apoio + vínculo UBS.
Em casos de violência doméstica, a abordagem deve ser centrada na vítima, construindo um plano de segurança personalizado que envolva sua rede de apoio e fortaleça o vínculo com a equipe de saúde, garantindo um ambiente seguro e acolhedor.
A violência doméstica é um grave problema de saúde pública, com alta prevalência e impacto significativo na saúde física e mental das mulheres. Profissionais da atenção primária, como enfermeiros e médicos da UBS, são frequentemente os primeiros a ter contato com essas vítimas, tornando crucial uma abordagem sensível e eficaz. O reconhecimento dos sinais, muitas vezes inespecíficos, é o primeiro passo para a intervenção. O ecomapa é uma ferramenta valiosa na avaliação familiar e social, permitindo identificar a rede de apoio e os estressores da paciente. A construção de um plano de segurança deve ser colaborativa, respeitando a autonomia da mulher e envolvendo seus recursos sociais e familiares. O fortalecimento do vínculo com a UBS é fundamental para o acompanhamento contínuo e a garantia de um espaço seguro. O manejo da violência doméstica exige uma abordagem multidisciplinar e intersetorial, que vai além da denúncia policial. Prioriza-se a segurança da vítima, o apoio psicossocial e o empoderamento, com encaminhamentos para serviços especializados (psicologia, assistência social, centros de referência) conforme a necessidade e o desejo da mulher. A equipe de saúde deve estar preparada para oferecer escuta qualificada e apoio contínuo.
Sinais incluem queixas inespecíficas como insônia, ansiedade, depressão, lesões físicas sem explicação clara, isolamento social, e relatos de discussões ou humilhação, especialmente em contextos de dependência.
O ecomapa ajuda a visualizar a rede de apoio social da paciente (família, amigos, serviços de saúde, igreja), identificando recursos e estressores, o que é crucial para construir um plano de segurança eficaz e individualizado.
A denúncia é um direito da vítima, mas não deve ser imposta. A prioridade é garantir a segurança da mulher, respeitar sua autonomia e construir um plano de apoio que ela se sinta confortável em seguir, considerando os riscos e a complexidade da situação.
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