Maus-tratos ao Idoso: Conduta Ética e Legal

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Seu Antenor, 78 anos, reside com seu sobrinho há seis meses após o falecimento de sua esposa. Durante uma visita domiciliar de rotina da equipe de Estratégia Saúde da Família, a enfermeira observa que o idoso apresenta higiene precária, roupas visivelmente sujas e emagrecimento acentuado desde a última consulta. Ao tentar dialogar com o paciente em particular, o sobrinho interrompe a conversa de forma ríspida, afirmando que o tio está 'ficando gagá' e que 'não sabe o que diz'. O idoso permanece em silêncio, cabisbaixo e demonstra sinais de temor na presença do familiar. Diante da suspeita de negligência e violência psicológica, qual é a conduta imediata e obrigatória a ser adotada pelo profissional de saúde, fundamentada na Política Nacional do Idoso e no Estatuto do Idoso?

Alternativas

  1. A) Aguardar a constatação de lesões físicas típicas, como equimoses em diferentes estágios de evolução, para formalizar a denúncia junto à autoridade policial.
  2. B) Priorizar a mediação de conflitos familiares na Unidade Básica de Saúde, abstendo-se de realizar a notificação externa para preservar o vínculo da equipe com o cuidador.
  3. C) Encaminhar o paciente para internação hospitalar imediata visando proteção social, independentemente da ausência de critérios clínicos para admissão em ambiente terciário.
  4. D) Efetuar a notificação compulsória do caso de suspeita de violência e comunicar o fato aos órgãos de proteção, como o Conselho Municipal do Idoso ou o Ministério Público.

Pérola Clínica

Suspeita de violência contra idoso → Notificação compulsória imediata e obrigatória.

Resumo-Chave

A legislação brasileira obriga profissionais de saúde a notificarem casos suspeitos ou confirmados de violência, negligência ou abandono aos órgãos de proteção competentes.

Contexto Educacional

A violência contra o idoso é um problema de saúde pública crescente e muitas vezes subdiagnosticado. O isolamento social e a dependência de cuidadores familiares aumentam a vulnerabilidade. O profissional de saúde na Atenção Primária (ESF) ocupa uma posição privilegiada para identificar sinais sutis, como mudanças de comportamento, perda de peso inexplicada e higiene precária. A conduta não deve ser punitivista de imediato, mas sim protetiva. A notificação compulsória é um instrumento de garantia de direitos e permite que a rede de assistência social (CRAS/CREAS) intervenha na dinâmica familiar para cessar o ciclo de violência e oferecer suporte tanto ao idoso quanto ao cuidador sobrecarregado.

Perguntas Frequentes

Quando a notificação de violência ao idoso é obrigatória?

De acordo com o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) e a Portaria de Consolidação nº 4/2017 do MS, a notificação é obrigatória em casos de violência suspeita ou confirmada. Ela deve ser feita pelos serviços de saúde públicos ou privados. A notificação tem caráter epidemiológico (VIVA/SINAN) e, em casos de idosos, também deve ser comunicada aos órgãos de proteção (Conselho do Idoso, Ministério Público ou Delegacia de Polícia).

Quais são os tipos de violência contra o idoso?

A violência pode ser física (agressões), psicológica (humilhação, isolamento), negligência (privação de cuidados básicos, higiene, alimentação), abandono, violência financeira/patrimonial (apropriação de bens ou proventos) e violência sexual. No caso clínico, há sinais claros de negligência (higiene e emagrecimento) e violência psicológica (cerceamento da fala e temor).

Quais órgãos devem ser comunicados na suspeita de violência?

Além da notificação compulsória no sistema de saúde (SINAN), o profissional deve comunicar o fato a pelo menos um dos seguintes órgãos: Conselho Municipal, Estadual ou Nacional do Idoso; Ministério Público; ou Autoridade Policial (Delegacia do Idoso ou comum). O objetivo é garantir a proteção do idoso e a responsabilização dos agressores.

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