INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente com 35 anos, que vive com o marido e dois filhos pequenos, procurou uma unidade básica de saúde (UBS) com feridas recentes. Ela relatou que, na noite anterior, havia sido agredida pelo marido, com socos e pontapés, e ameaçada com uma faca. Após receber atendimento para as lesões, e tendo sido abordada pelo médico, a paciente confirmou que a atitude violenta do marido é frequente e que vem ocorrendo há dois anos.Diante desse quadro, a conduta médica adequada é
Violência contra mulher → Abordagem multiprofissional + Notificação compulsória (SINAN).
A violência contra a mulher é um grave problema de saúde pública que exige uma abordagem médica cuidadosa e padronizada. A notificação compulsória via SINAN é obrigatória e a abordagem multiprofissional é essencial para oferecer suporte integral à vítima.
A violência contra a mulher é uma questão de saúde pública complexa e multifacetada, exigindo uma resposta coordenada e sensível dos profissionais de saúde. Ao se deparar com um caso de violência doméstica, como o descrito, a prioridade inicial é o atendimento e tratamento das lesões físicas da paciente, garantindo sua segurança imediata. Paralelamente, é imperativo que o profissional de saúde realize a notificação compulsória do agravo. No Brasil, isso é feito através do preenchimento da Ficha de Notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), um instrumento essencial para a vigilância epidemiológica e a formulação de políticas públicas. Essa notificação é um dever legal e ético, e deve ser feita de forma a proteger a identidade e a privacidade da vítima. Além da notificação, a conduta médica adequada envolve a proposição de uma abordagem multiprofissional. Essa equipe pode incluir médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que trabalharão em conjunto para oferecer apoio psicológico, social e jurídico à paciente, informando-a sobre seus direitos e as redes de apoio disponíveis, sem pressioná-la a tomar decisões que ela não esteja pronta para assumir. O encaminhamento à Delegacia de Proteção à Mulher é uma opção que deve ser apresentada à paciente, mas a decisão de registrar um boletim de ocorrência é dela.
Após o atendimento das lesões físicas, a conduta médica adequada inclui a notificação compulsória do caso ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN, preenchendo a ficha específica, e a oferta de uma abordagem multiprofissional à paciente.
Sim, a notificação de casos de violência contra a mulher, assim como outros tipos de violência interpessoal e autoprovocada, é compulsória no Brasil e deve ser realizada por profissionais de saúde ao SINAN, respeitando a privacidade da vítima.
A abordagem multiprofissional é crucial para oferecer suporte integral à vítima, envolvendo não apenas o médico, mas também enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, para lidar com as dimensões físicas, psicológicas e sociais da violência, e auxiliar na construção de um plano de segurança.
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