Violência contra a Mulher: Atenção na Atenção Básica

FESF-SUS - Fundação Estatal Saúde da Família (BA) — Prova 2017

Enunciado

As Unidades de Atenção Básica, muitas vezes, são os únicos equipamentos públicos que diversas pessoas se relacionam e precisam agir de forma abrangente e integral para servir como instrumento de integração de diversas políticas públicas, como as de educação e segurança. Em relação à atenção às mulheres em situação de violência sexual e/ou doméstica, tendo como base o Protocolo de Saúde da Mulher e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) do Ministério da Saúde, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a atenção ao risco de abortamento leve deve ser compreendida como uma ação exclusiva dos hospitais de referência em saúde da mulher.
  2. B) o Protocolo apresenta-se como um documento de sistematização do plano de ações e cuidados às mulheres, no entanto não representa o arcabouço ético-legal para a atuação dos trabalhadores da Atenção Básica.
  3. C) o acolhimento com escuta qualificada, no caso da violência contra a mulher, é uma das principais estratégias para a garantia do cuidado, principalmente, no registro da ocorrência policial, que, nesse caso, é obrigatório.
  4. D) a violência doméstica/intrafamiliar ocorre entre os parceiros e entre os membros da família, principalmente, no ambiente da casa, representando, percentualmente, menor frequência se comparado à taxa de mortalidade das demais causas de violência contra a mulher.
  5. E) a busca para o atendimento integral das mulheres, com acolhimento de suas demandas e necessidades, a garantia do acesso e as respostas a contento, ainda estão em processo de consolidação no Brasil, apesar da construção de documentos norteadores e protocolos.

Pérola Clínica

Atenção à mulher vítima de violência: acolhimento integral na AB, apesar de desafios na consolidação.

Resumo-Chave

A atenção à mulher em situação de violência é uma prioridade na Atenção Básica, conforme a PNAISM e protocolos. Embora existam diretrizes, a efetivação do acolhimento integral, garantia de acesso e respostas adequadas ainda enfrenta desafios significativos na prática, necessitando de constante aprimoramento e capacitação dos profissionais.

Contexto Educacional

A violência contra a mulher, seja doméstica, sexual ou de outras formas, é um grave problema de saúde pública e de direitos humanos. As Unidades de Atenção Básica (UBS) são pontos estratégicos para a identificação e o manejo desses casos, atuando como porta de entrada para a rede de proteção e cuidado. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) e diversos protocolos do Ministério da Saúde orientam essa atuação. O acolhimento com escuta qualificada é a primeira e mais importante estratégia, criando um ambiente de confiança para que a mulher possa expressar suas necessidades. A equipe de saúde deve estar preparada para identificar sinais de violência, oferecer apoio psicossocial, realizar a notificação compulsória (sempre respeitando a autonomia da mulher sobre a denúncia policial) e encaminhar para serviços especializados, como centros de referência e assistência jurídica. Apesar da existência de arcabouço ético-legal e documentos norteadores, a efetivação de uma atenção integral e resolutiva às mulheres em situação de violência ainda é um desafio no Brasil. A consolidação dessa rede de cuidado exige capacitação contínua dos profissionais, articulação intersetorial (saúde, assistência social, segurança, justiça) e superação de barreiras institucionais e sociais para garantir acesso, acolhimento e respostas adequadas às vítimas.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da Atenção Básica no cuidado à mulher em situação de violência?

A Atenção Básica é a porta de entrada preferencial e tem um papel crucial no acolhimento, identificação, notificação, acompanhamento e encaminhamento de mulheres em situação de violência, oferecendo suporte integral e articulando a rede de proteção.

Quais são os principais desafios na implementação da atenção integral à mulher vítima de violência no Brasil?

Os desafios incluem a subnotificação, a falta de capacitação adequada dos profissionais, a fragmentação da rede de apoio, o estigma social, a dificuldade de acesso a serviços especializados e a persistência de barreiras culturais e institucionais.

A notificação policial é obrigatória em casos de violência contra a mulher na Atenção Básica?

A notificação compulsória de casos de violência é obrigatória aos órgãos de saúde e segurança pública, mas a decisão de registrar uma ocorrência policial deve ser respeitada e apoiada pela mulher, sem imposição, garantindo sua autonomia e segurança.

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