HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Mulher de 50 anos, casada, tem 1 filha de 17 anos. Vai à UBS para mostrar os exames preventivos solicitados na última consulta. Nega doenças crônicas. Ao ser perguntada sobre a qualidade do sono, ela começa a chorar porque dorme muito mal. Conta que está sempre ansiosa e com medo porque sofre violência do marido, apanha quase todas as semanas. Ele toma conta do seu dinheiro, não a deixa com nada e força relações sexuais mesmo depois de tê-la agredido. Em alguns dias, ele se transforma, pede perdão e jura que vai melhorar. Mas após algum tempo volta a ser agressivo. Exame físico com hematomas em abdome, coxas e região dorsal. Entre as opções abaixo, a melhor conduta nesse caso é preencher a ficha de notificação de violência contra a mulher,
Violência contra a mulher: acolhimento, notificação compulsória, plano de segurança e rede de apoio são essenciais.
Em casos de violência contra a mulher, a prioridade é a segurança da vítima. A notificação é compulsória e a construção de um plano de segurança, junto com a orientação sobre a rede de apoio, empodera a mulher a tomar decisões no seu tempo, sem forçar a separação imediata.
A violência contra a mulher é um grave problema de saúde pública, com alta prevalência e impacto devastador na saúde física e mental das vítimas. Profissionais de saúde, especialmente na Atenção Primária, desempenham um papel crucial no acolhimento, identificação e manejo desses casos, que muitas vezes se manifestam através de queixas inespecíficas ou sintomas psicossomáticos. É fundamental reconhecer os diferentes tipos de violência (física, psicológica, sexual, financeira) e o padrão cíclico que frequentemente a caracteriza. O diagnóstico da violência se baseia na escuta ativa, no exame físico (quando há sinais) e na notificação compulsória, que é uma ferramenta essencial para o monitoramento e a formulação de políticas públicas. A suspeita deve surgir diante de lesões inexplicáveis, queixas de ansiedade, depressão, insônia ou relatos diretos da paciente. O acolhimento deve ser feito em um ambiente de confiança e sem julgamentos, garantindo a privacidade e a segurança da mulher. A conduta envolve a notificação, a construção de um plano de segurança individualizado e a orientação sobre a rede de apoio disponível no município (delegacias da mulher, centros de referência, abrigos). É crucial respeitar a autonomia da vítima, sem pressionar para decisões imediatas como a separação ou a denúncia, pois o momento certo para agir é dela. O objetivo é oferecer suporte, informações e recursos para que a mulher possa tomar decisões seguras e informadas sobre sua vida.
O primeiro passo é acolher a paciente em um ambiente seguro e sigiloso, validar sua experiência e realizar a notificação compulsória da violência. Em seguida, deve-se construir um plano de segurança e orientar sobre a rede de apoio.
Forçar a separação pode colocar a vítima em maior risco, pois o ciclo da violência é complexo e a decisão de sair do relacionamento deve ser dela, no seu tempo e com o suporte necessário. O foco é empoderar a mulher e garantir sua segurança.
A rede de apoio (centros de referência, delegacias especializadas) oferece suporte jurídico, psicológico e social. O plano de segurança ajuda a mulher a identificar riscos e estratégias para se proteger em momentos de crise, aumentando sua autonomia e segurança.
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