UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020
Um médico é chamado para avaliar um menino de dez meses trazido por causa de redução do movimento do braço esquerdo. Sua mãe está muito ansiosa e relata que ele caiu da cama em que ela estava, depois de uma soneca naquela manhã. Exceto por hematomas e dor à movimentação do braço esquerdo, os achados no exame físico são normais. A radiografia de ossos longos revela uma fratura aguda do úmero direito e duas fraturas em cicatrização das costelas esquerdas. Sua mãe afirma não ter conhecimento quanto às fraturas das costelas e nega trauma anterior. Das características abaixo, quais são consideradas alarmantes para que se suspeite de violência contra a criança?
Suspeita de violência infantil → fraturas múltiplas em diferentes estágios de cicatrização, lesões em locais atípicos (orelhas, pescoço, genitais).
Fraturas em diferentes estágios de cicatrização, especialmente em ossos longos (úmero, fêmur) ou costelas, sem um relato de trauma compatível, são altamente sugestivas de violência contra a criança. Lesões bilaterais em órbitas isoladas são atípicas para trauma acidental e levantam suspeita.
A violência contra a criança é um grave problema de saúde pública, com consequências devastadoras para o desenvolvimento físico e psicossocial. Médicos desempenham um papel crucial na identificação e notificação de casos suspeitos. A suspeita deve ser levantada quando há discrepância entre a história relatada e os achados clínicos, ou quando as lesões são inconsistentes com o estágio de desenvolvimento da criança. A fisiopatologia das lesões não acidentais é variada, mas frequentemente envolve mecanismos de impacto, compressão, torção ou aceleração-desaceleração. Fraturas de costelas, especialmente as posteriores, são altamente específicas para abuso, assim como fraturas metafisárias (lesões de canto ou 'bucket-handle'). A presença de múltiplas fraturas em diferentes estágios de cicatrização, como no caso apresentado (fratura aguda de úmero e duas fraturas de costelas em cicatrização), é um sinal de alerta fortíssimo para trauma repetitivo. O diagnóstico exige uma abordagem multidisciplinar, incluindo exame físico detalhado, exames de imagem (radiografias de ossos longos, tomografia de crânio, cintilografia óssea), e, por vezes, exames laboratoriais. É fundamental documentar todas as lesões e realizar a notificação compulsória às autoridades competentes. A alternativa C, 'Lesões bilaterais em região de órbitas, isoladas, sem comprometimento de nariz ou outras áreas da face', é alarmante porque hematomas periorbitais bilaterais sem trauma facial direto são incomuns em acidentes e podem indicar trauma por compressão da cabeça ou esmagamento.
Fraturas em diferentes estágios de cicatrização, fraturas de costelas (especialmente posteriores), fraturas metafisárias, fraturas de úmero ou fêmur em crianças não deambuladoras, e fraturas complexas sem história compatível são altamente suspeitas.
Hematomas em locais atípicos (orelhas, pescoço, genitais, nádegas), hematomas com padrões específicos (mãos, cintos), queimaduras com padrões incomuns (imersão, cigarro) e múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização são alarmantes.
A diferenciação baseia-se na compatibilidade entre a história do trauma e os achados físicos/radiológicos, no estágio de desenvolvimento da criança, na presença de múltiplas lesões ou lesões em locais atípicos, e na repetição de eventos traumáticos.
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