Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma gestante de quarenta e uma semanas e três dias compareceu ao pronto-atendimento obstétrico com queixa de redução da movimentação fetal. Realizou nove consultas de pré-natal e todo o acompanhamento ocorreu sem intercorrências clínicas. Todas as sorologias negativas. Ao exame físico obstétrico, apresentava altura uterina de 33 cm, dinâmica uterina ausente e BCF presente (149 bpm). Toque vaginal com colo posterior, grosso e impérvio. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Gestação > 40 semanas → vigilância fetal com PBF 2x/semana, especialmente com queixa de ↓ movimentação.
Em gestações prolongadas (a partir de 40 semanas), a vigilância da vitalidade fetal é crucial devido ao risco aumentado de insuficiência placentária e óbito fetal. O perfil biofísico fetal (PBF), que combina cardiotocografia e ultrassonografia, é o método de escolha para essa avaliação, devendo ser realizado duas vezes por semana para monitorar o bem-estar fetal.
A gestação prolongada, definida como aquela que ultrapassa 40 semanas e 6 dias de gestação, ou pós-termo, que se estende além de 42 semanas, representa um desafio obstétrico devido ao aumento dos riscos maternos e fetais. Embora a maioria das gestações prolongadas tenha desfechos favoráveis, há um risco crescente de insuficiência placentária, oligodramnia, macrossomia fetal e óbito fetal à medida que a gestação avança. A importância clínica reside na necessidade de monitoramento rigoroso para identificar precocemente sinais de comprometimento fetal. A fisiopatologia dos riscos na gestação prolongada envolve o envelhecimento placentário, que pode levar à diminuição da função e, consequentemente, à redução do fluxo sanguíneo e da oferta de nutrientes e oxigênio ao feto. A redução da movimentação fetal é um sinal de alerta importante que indica possível sofrimento fetal. O diagnóstico da gestação prolongada é feito pela data da última menstruação e ultrassonografias precoces. A suspeita de comprometimento fetal exige uma avaliação imediata da vitalidade fetal. A vigilância da vitalidade fetal em gestações prolongadas deve ser iniciada a partir das 40 semanas de gestação, com avaliações regulares. O perfil biofísico fetal (PBF), realizado duas vezes por semana, é o método de escolha, pois oferece uma avaliação abrangente do bem-estar fetal. Outras ferramentas incluem a cardiotocografia isolada e a avaliação do volume de líquido amniótico. A conduta pode variar desde o monitoramento contínuo até a indução do parto, dependendo dos resultados da vigilância e da idade gestacional. A indução do parto é geralmente recomendada a partir das 41 semanas para reduzir os riscos fetais.
Os riscos para o feto em gestações prolongadas incluem insuficiência placentária, oligodramnia, macrossomia, síndrome de aspiração meconial, distocia de ombro e aumento do risco de óbito fetal. Por isso, a vigilância é fundamental.
O perfil biofísico fetal (PBF) é um método de avaliação da vitalidade fetal que combina a cardiotocografia (avaliação da reatividade cardíaca fetal) com ultrassonografia (avaliação de movimentos fetais, tônus fetal, movimentos respiratórios fetais e volume de líquido amniótico).
A indução do parto é geralmente recomendada em gestações que atingem 41 semanas completas, ou antes, se houver evidência de comprometimento da vitalidade fetal ou outras indicações obstétricas, independentemente da idade gestacional.
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