UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2017
Adolescente de 18 anos, sexo feminino, foi à unidade de atenção primária alegando sentir algo estranho na barriga, enjoo e vômito. Atendida pela enfermeira, a paciente disse que estava muito nervosa porque mora em área de risco e largou a escola este ano. Após consulta médica, foi diagnosticada com verminose e foi prescrito um antiemético. Não foi agendado retorno e ela não voltou à unidade. Após três meses, a Comissão da Mortalidade Infantil do território identificou relato de criança natimorta, afogada na privada, cuja mãe era a mesma adolescente que havia procurado o serviço de saúde. As ações desencadeadas nesse caso estão configuradas na seguinte situação:
Falha no acolhimento e vigilância territorial → desfechos adversos em saúde pública.
O caso ilustra a falha na identificação de vulnerabilidades sociais e de saúde (gravidez na adolescência, abandono escolar, área de risco) na atenção primária. A vigilância territorial e o planejamento em saúde são essenciais para abordar essas questões de forma integral e prevenir desfechos trágicos como a mortalidade infantil.
Este caso ressalta a complexidade da atenção à saúde em contextos de vulnerabilidade social e a importância de uma abordagem ampliada que transcenda o modelo biomédico. A adolescente apresentava múltiplos fatores de risco: morava em área de risco, largou a escola, e buscava o serviço com queixas inespecíficas que poderiam mascarar uma gravidez. A falha em identificar esses sinais e em oferecer um acolhimento adequado resultou em uma tragédia evitável. A vigilância em saúde, especialmente no âmbito da atenção primária, não se limita à detecção de doenças, mas abrange a análise do processo saúde-doença em seu contexto social, econômico e ambiental. A identificação do 'processo territorial' refere-se à compreensão das dinâmicas sociais, dos determinantes de saúde e dos riscos presentes em uma determinada área geográfica. Isso permite que as equipes de saúde planejem e organizem suas ações de forma mais eficaz, direcionando recursos e intervenções para as populações mais necessitadas. A mortalidade infantil é um indicador sensível das condições de vida e da qualidade dos serviços de saúde de uma comunidade. Casos como o descrito evidenciam a necessidade de fortalecer o acolhimento, o vínculo e a longitudinalidade do cuidado na atenção primária, especialmente para populações vulneráveis como adolescentes. A integração entre os diferentes níveis de atenção e a articulação com outros setores (educação, assistência social) são cruciais para promover a saúde e prevenir desfechos negativos, garantindo que a saúde seja vista como um direito e não apenas como a ausência de doença.
A atenção primária tem um papel central na identificação de vulnerabilidades sociais e de saúde, através do acolhimento, escuta qualificada e compreensão do contexto de vida do paciente, permitindo uma abordagem integral.
A vigilância territorial permite mapear áreas de risco, identificar populações vulneráveis e planejar ações de saúde específicas, como busca ativa de gestantes e adolescentes em situação de risco, garantindo acesso e continuidade do cuidado.
A falta de acolhimento e vínculo pode levar à evasão do serviço de saúde, dificultando o diagnóstico precoce de condições como gravidez e a adesão ao pré-natal, resultando em desfechos materno-infantis adversos.
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