MedEvo Simulado — Prova 2026
Um médico de uma Unidade Básica de Saúde atende uma criança de 4 anos com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e exantema maculopapular craniocaudal iniciado há 2 dias. A suspeita de sarampo é forte. Ao revisar o cartão vacinal, constata-se que a criança recebeu apenas uma dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e frequenta uma creche com 45 outras crianças. No mesmo dia, a equipe de vigilância municipal informa que há outros 3 casos suspeitos na mesma região nos últimos 10 dias. Considerando o cenário epidemiológico e as normas de Vigilância em Saúde, assinale a alternativa INCORRETA:
Sarampo: Notificação 24h + Bloqueio 72h. Diagnóstico não é apenas IgM (clínico-epidemiológico conta).
A vigilância do sarampo exige rapidez na notificação e bloqueio vacinal; o diagnóstico pode ser clínico-epidemiológico em situações de surto, não dependendo apenas do laboratório.
O sarampo é uma doença viral aguda, altamente contagiosa, transmitida por aerossóis. O quadro clínico clássico envolve febre alta, tosse, coriza, conjuntivite (com fotofobia) e o exantema maculopapular morbiliforme de progressão craniocaudal. As manchas de Koplik, embora patognomônicas, são efêmeras e frequentemente desaparecem antes da consulta médica. Devido ao alto potencial de surtos, a vigilância epidemiológica é rigorosa: qualquer caso suspeito deve desencadear ações imediatas antes mesmo da confirmação laboratorial. O diagnóstico laboratorial baseia-se na detecção de anticorpos IgM específicos no soro, que geralmente aparecem após o surgimento do exantema. No entanto, é um erro comum afirmar que a classificação final depende exclusivamente do laboratório. Em situações de surto ou quando há vínculo epidemiológico claro com casos confirmados laboratorialmente, o critério clínico-epidemiológico é válido para o fechamento do caso. Além disso, resultados de isolamento viral ou RT-PCR (urina ou swab de orofaringe) são ferramentas valiosas, especialmente para genotipagem e identificação da linhagem viral circulante.
O sarampo é uma doença de notificação compulsória imediata, o que significa que deve ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas após a suspeita clínica. Uma vez notificado, a investigação epidemiológica deve ser iniciada em até 48 horas. Essa agilidade é fundamental para conter a cadeia de transmissão, especialmente em ambientes coletivos como creches e escolas, permitindo a implementação rápida das medidas de controle, como o bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis.
O bloqueio vacinal deve ser realizado em até 72 horas após o contato com o caso suspeito. Ele é direcionado aos comunicantes suscetíveis (aqueles sem comprovação vacinal adequada) na faixa etária de 6 meses a 59 anos. O objetivo é interromper a transmissão viral. É importante notar que a vacinação realizada após as 72 horas ainda é recomendada para atualização do esquema vacinal, mas perde sua eficácia como medida de bloqueio para impedir o desenvolvimento da doença decorrente daquele contato específico.
A imunoglobulina humana está indicada para contatos suscetíveis que possuem contraindicação à vacina tríplice viral e que tiveram exposição nos últimos 6 dias. Os grupos prioritários são: gestantes suscetíveis, indivíduos imunodeprimidos e crianças menores de 6 meses de idade (especialmente se a mãe não for imune). Diferente da vacina, que deve ser aplicada em 72 horas, a imunoglobulina pode ser administrada até o 6º dia após a exposição para prevenir ou atenuar a gravidade da doença.
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