SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Lana, de 3 anos, é trazida para atendimento na UBS por sua avó, dona Benzarina. A avó relata que a criança falta recorrentemente à escola por “estar sempre gripada”. Queixa-se de que “a menina está sempre com nariz escorrendo e tossindo”, que “toda noite ela dorme mal, com crises de tosse”, que “a menina está tossindo todos o dias há pelo menos um mês uma tosse seca horrível”, que “o tempo não pode mudar que a criança começa a espirrar e tossir” e que “só esse ano ela já precisou ficar internada três vezes por gripe mal curada”. Dona Benzarina refere que muitas crianças da escola de Lana também têm faltado à escola desde a instalação de uma fábrica de tijolos na comunidade. Assinale a alternativa que traz o eixo da Vigilância em Saúde correspondente ao caso relatado.
Exposição a poluentes externos (fábricas) + agravos coletivos → Eixo da Vigilância Ambiental.
A Vigilância Ambiental foca no controle de fatores físicos, químicos e biológicos do meio ambiente que interferem na saúde humana, como a poluição industrial que causa sintomas respiratórios em comunidades.
A Vigilância em Saúde no Brasil é estruturada em quatro eixos principais: Epidemiológica, Sanitária, Ambiental e da Saúde do Trabalhador. O caso clínico de Lana ilustra perfeitamente a atuação da Vigilância Ambiental, pois há um fator externo (fábrica de tijolos) alterando o meio ambiente e gerando um impacto coletivo (várias crianças com sintomas respiratórios). Na prática médica da Atenção Primária, identificar esses padrões é fundamental para a notificação e acionamento das equipes de vigilância. O reconhecimento de que o ambiente é um determinante direto da saúde permite intervenções que vão além do tratamento individual (broncodilatadores e corticoides), focando na causa raiz do problema comunitário.
A Vigilância Ambiental consiste em um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana. Seu objetivo é identificar, monitorar e avaliar os riscos, recomendando medidas de prevenção e controle de doenças relacionadas a fatores ambientais, como qualidade da água, do ar, do solo e desastres naturais ou antrópicos (como a instalação de fábricas).
Embora ambas façam parte da Vigilância em Saúde, a Vigilância Sanitária foca no controle de bens de consumo, prestação de serviços e riscos decorrentes da produção e circulação de mercadorias (alimentos, medicamentos, hospitais). Já a Vigilância Ambiental foca nos fatores do meio ambiente físico que podem causar doenças, como a poluição atmosférica por indústrias, contaminação de mananciais ou presença de vetores e hospedeiros em áreas específicas.
A poluição industrial é monitorada através do eixo de Vigilância de Populações Expostas a Contaminantes Químicos (VIGIPEQ). Quando uma comunidade apresenta sintomas respiratórios recorrentes após a instalação de uma fábrica, a Vigilância Ambiental deve investigar a qualidade do ar e a correlação epidemiológica entre o poluente emitido e os agravos à saúde observados, visando intervir na fonte poluidora ou mitigar os danos à população local.
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