UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021
Algumas publicações 'pre-print” iniciais sugeriam um efeito da hidroxicloroquina na redução da mortalidade pela COVID-19 em pacientes internados, porém alguns desses estudos apresentavam diferentes vieses. Três deles foram: 1) Os pacientes não foram aleatorizados em grupo intervenção e controle; 2) A utilização concomitante de antivirais e a idade dos pacientes não foram controladas na análise de efeito do medicamento; e 3) Os exames diagnósticos para selecionar os casos foram diferentes entre os sujeitos investigados. Qual alternativa categoriza, respectivamente, os três vieses acima identificados?
Vieses em estudos: Seleção (grupos diferentes), Confusão (variáveis não controladas), Informação/Aferição (erros na coleta/medição).
A avaliação crítica de estudos científicos é fundamental. Vieses de seleção ocorrem quando os grupos de comparação não são equivalentes; vieses de confusão surgem quando fatores externos não controlados afetam a relação entre exposição e desfecho; e vieses de informação ou aferição resultam de erros na coleta ou medição dos dados.
A compreensão dos vieses em estudos científicos é uma habilidade crítica para qualquer profissional de saúde, especialmente residentes, que precisam avaliar a validade e a aplicabilidade das evidências na prática clínica. Vieses são erros sistemáticos que podem distorcer os resultados de uma pesquisa, levando a conclusões incorretas sobre a eficácia de tratamentos ou a causalidade de doenças. A identificação desses vieses é fundamental para a leitura crítica de artigos e para a tomada de decisões baseadas em evidências. Existem diversos tipos de vieses, mas três são particularmente importantes: o viés de seleção, o viés de confusão e o viés de informação (ou aferição). O viés de seleção ocorre quando a forma como os participantes são escolhidos ou alocados para os grupos de estudo resulta em diferenças sistemáticas entre eles, comprometendo a comparabilidade. O viés de confusão surge quando uma variável externa, não controlada, está associada tanto à exposição quanto ao desfecho, mascarando ou exagerando a verdadeira relação entre eles. Já o viés de informação ou aferição refere-se a erros sistemáticos na coleta ou medição dos dados, como o uso de diferentes métodos diagnósticos ou a imprecisão dos instrumentos. Para mitigar esses vieses, os pesquisadores utilizam estratégias como a randomização para o viés de seleção, o ajuste estatístico ou o pareamento para o viés de confusão, e a padronização dos métodos de coleta e aferição para o viés de informação. A capacidade de reconhecer esses vieses em publicações, como no exemplo da hidroxicloroquina para COVID-19, é essencial para que o residente possa discernir a qualidade da evidência e aplicar o conhecimento de forma segura e eficaz na prática clínica.
O viés de seleção ocorre quando os grupos de participantes de um estudo (ex: grupo de intervenção e grupo controle) não são comparáveis devido a diferenças sistemáticas na forma como foram selecionados ou alocados. Isso pode levar a resultados distorcidos, pois as diferenças observadas podem ser atribuídas às características dos grupos e não à intervenção estudada.
O viés de confusão acontece quando uma terceira variável (fator de confusão) está associada tanto à exposição quanto ao desfecho, distorcendo a verdadeira relação entre eles. Se não for controlada, essa variável pode fazer parecer que a exposição causa o desfecho, quando na verdade é o fator de confusão que está agindo, levando a conclusões errôneas sobre a eficácia ou risco de uma intervenção.
Viés de informação e viés de aferição são termos frequentemente usados de forma intercambiável e referem-se a erros sistemáticos na coleta, medição ou registro dos dados de um estudo. Isso pode ocorrer por instrumentos de medição imprecisos, lembrança seletiva dos participantes (viés de memória) ou diferenças na forma como os desfechos são avaliados entre os grupos, impactando a validade interna dos resultados.
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