SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2019
Estudo realizado em uma universidade analisou dados de pacientes obesos grau 3 submetidos à cirurgia bariátrica pela técnica sleeve. Eles foram acompanhados por 5 anos pela equipe de saúde mental da unidade pós-operatória ambulatorial para o surgimento de transtornos mentais, especialmente ansiedade e depressão. Observou-se que os pacientes que ficavam ansiosos ou deprimidos e/ou voltavam a ganhar peso no período, tendiam a retornar cada vez menos ao ambulatório, havendo tendência a permanecerem os mais saudáveis mentalmente. O conceito acima refere-se à:
Perda seletiva de seguimento = participantes que se perdem diferem sistematicamente dos que permanecem, enviesando os resultados.
A perda seletiva de seguimento, também conhecida como viés de atrito, ocorre quando a taxa ou o padrão de perda de participantes em um estudo não é aleatório, mas está relacionado às características dos participantes ou aos desfechos do estudo. Isso pode levar a uma amostra final não representativa e a conclusões enviesadas, superestimando ou subestimando os efeitos observados.
Em estudos de pesquisa, especialmente em estudos de coorte ou ensaios clínicos longitudinais, a validade dos resultados depende criticamente da manutenção do seguimento dos participantes. No entanto, é comum que alguns participantes se percam ao longo do tempo. Quando essa perda não é aleatória, mas está relacionada a características específicas dos participantes ou aos desfechos do estudo, ocorre o que chamamos de viés de perda seletiva de seguimento, também conhecido como viés de atrito ou viés de abandono. No cenário da questão, o estudo sobre cirurgia bariátrica observou que pacientes com desfechos menos favoráveis (ansiedade, depressão, reganho de peso) tendiam a abandonar o acompanhamento. Isso significa que a amostra de pacientes que permaneciam no ambulatório era composta majoritariamente por aqueles com melhores resultados em saúde mental e controle de peso. Consequentemente, qualquer conclusão tirada a partir dessa amostra remanescente estaria enviesada, superestimando os benefícios da cirurgia ou a saúde mental geral do grupo. Este viés é uma ameaça à validade interna do estudo, pois as associações observadas podem não refletir a realidade da população original. Para mitigar esse problema, os pesquisadores devem empregar estratégias para reter os participantes, como contatos regulares e flexibilidade nos agendamentos, e, na análise de dados, considerar a 'análise por intenção de tratar', que inclui todos os participantes em seus grupos originais, independentemente de terem completado o seguimento, para fornecer uma estimativa mais conservadora e realista do efeito da intervenção.
O viés de perda seletiva de seguimento, ou viés de atrito, ocorre quando os participantes que abandonam um estudo diferem sistematicamente daqueles que permanecem. Isso significa que a amostra final não é mais representativa da população original, podendo distorcer os resultados e as conclusões do estudo.
No exemplo da cirurgia bariátrica, se pacientes com piores desfechos (ansiedade, depressão, ganho de peso) abandonam o acompanhamento, o estudo pode superestimar o sucesso da cirurgia e a saúde mental dos pacientes, pois a amostra final será composta predominantemente pelos indivíduos com melhores resultados.
Estratégias incluem manter contato frequente com os participantes, oferecer incentivos para a permanência, coletar o máximo de dados possível dos que abandonam (análise de intenção de tratar), e utilizar métodos estatísticos que lidem com dados faltantes, como imputação múltipla, para tentar mitigar o impacto do viés.
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