HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Um estudo multicêntrico prospectivo, conduzido na Austrália e na Nova Zelândia, recrutou 735 pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST que foram encaminhados para intervenção percutânea entre 2006 e 2010. Os pesquisadores observaram que pacientes do sexo feminino tiveram maior tempo da chegada no pronto-socorro até acionamento do fluxo de infarto, maior tempo do acionamento do fluxo de infarto até a angioplastia, maior tempo da chegada no pronto-socorro até a angioplastia (todas as comparações tiveram significância estatística). Após análise multivariada, determinantes independentes do tempo da chegada no pronto-socorro até a angioplastia foram: ser do sexo feminino, ter hipertensão arterial, tamanho do supradesnivelamento do segmento ST, receber atendimento em horário comercial, categoria estabelecida no momento da triagem.Os dados deste artigo permitem a seguinte conclusao:
Mulheres com IAMCSST frequentemente sofrem atrasos no atendimento, indicando possível viés de gênero no manejo da dor torácica.
O estudo demonstra que pacientes do sexo feminino com IAMCSST experimentam atrasos significativos em todas as etapas do atendimento, desde a chegada ao pronto-socorro até a angioplastia. Isso sugere que fatores não clínicos, como o gênero, podem influenciar o tempo de tratamento, impactando potencialmente os desfechos.
O Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) é uma emergência cardiovascular que exige intervenção rápida para restaurar o fluxo sanguíneo coronariano e minimizar o dano miocárdico. A intervenção coronária percutânea (ICP) primária é o tratamento de escolha, e o "tempo porta-balão" é um indicador crítico de qualidade do atendimento, com o objetivo de ser o mais curto possível. Este estudo destaca uma preocupação importante na prática clínica: a existência de viés de gênero no atendimento de pacientes com IAMCSST. Os achados de que mulheres experimentam atrasos significativos em todas as etapas do processo de atendimento, desde a triagem até a angioplastia, são alarmantes. Isso sugere que, além dos fatores clínicos, aspectos sociais e culturais podem influenciar a rapidez e a eficácia do tratamento. Para residentes e profissionais de saúde, é fundamental estar ciente desses vieses implícitos. A educação contínua sobre as apresentações atípicas do IAM em mulheres, a padronização de protocolos de atendimento para dor torácica e a promoção de uma cultura de equidade no cuidado são essenciais para garantir que todos os pacientes recebam o tratamento adequado em tempo hábil, independentemente do gênero. Reconhecer e mitigar esses vieses pode melhorar significativamente os desfechos para pacientes do sexo feminino com IAMCSST.
O estudo sugere que fatores como o reconhecimento tardio dos sintomas atípicos em mulheres, a percepção do paciente e do profissional de saúde, e a própria organização do fluxo de atendimento podem contribuir para o atraso no tratamento do IAMCSST em pacientes do sexo feminino.
O tempo da chegada no pronto-socorro até a angioplastia (tempo porta-balão) é crucial porque cada minuto de isquemia miocárdica resulta em perda de tecido cardíaco. Reduzir esse tempo minimiza o dano ao miocárdio e melhora significativamente o prognóstico do paciente.
O viés de gênero pode se manifestar na prática clínica através de uma menor suspeição de IAM em mulheres, especialmente se apresentarem sintomas atípicos, levando a atrasos na realização de exames diagnósticos e no encaminhamento para tratamento definitivo, como a angioplastia.
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