Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
O consumo de álcool e o tabagismo contribuem causalmente para a ocorrência de câncer de esôfago. Estes fatores de risco não são independentes e, na verdade, eles operam sinergicamente. Um estudo sobre o tabagismo, em relação ao câncer de esôfago, que não estratifique ou faça ajuste para o nível de consumo de álcool, mais provavelmente, apresenta viés prioritariamente de
Fatores sinérgicos (álcool, tabaco) não ajustados em estudo → viés de confusão.
Quando um fator (álcool) está associado tanto à exposição (tabagismo) quanto ao desfecho (câncer de esôfago) e não é controlado, ele distorce a verdadeira relação entre a exposição e o desfecho, caracterizando um viés de confusão.
O viés de confusão é um dos tipos mais importantes de viés em estudos epidemiológicos e pode levar a conclusões errôneas sobre a causalidade. Ele ocorre quando uma variável externa, o fator de confusão, está associada tanto à exposição de interesse quanto ao desfecho, e não é um elo na cadeia causal entre eles. No exemplo dado, o consumo de álcool é um fator de confusão para a relação entre tabagismo e câncer de esôfago, pois fumantes frequentemente consomem álcool, e ambos são fatores de risco independentes para a doença. Para mitigar o viés de confusão, diversas estratégias podem ser empregadas tanto no delineamento do estudo quanto na análise dos dados. No delineamento, pode-se utilizar a randomização (em ensaios clínicos), a restrição (incluir apenas participantes com um determinado nível do fator de confusão) ou o pareamento (selecionar participantes de forma que os grupos de exposição e não exposição sejam semelhantes em relação ao fator de confusão). Na fase de análise, a estratificação (analisar a associação dentro de subgrupos definidos pelo fator de confusão) e o ajuste estatístico (usando modelos de regressão multivariada) são métodos comuns. A não consideração do viés de confusão pode comprometer a validade interna do estudo, levando a superestimação ou subestimação da verdadeira associação entre a exposição e o desfecho, o que é crítico para a tomada de decisões em saúde pública e clínica.
O viés de confusão ocorre quando a associação observada entre uma exposição e um desfecho é distorcida pela presença de uma terceira variável (confundidora) que está associada tanto à exposição quanto ao desfecho, mas não é um intermediário causal.
O álcool é um fator de confusão porque está associado ao tabagismo (muitos fumantes também bebem) e é um fator de risco independente para câncer de esôfago. Se não for ajustado, a associação entre tabagismo e câncer pode parecer mais forte do que realmente é.
As estratégias incluem randomização (em ensaios clínicos), restrição, pareamento, estratificação e ajuste estatístico (regressão multivariada) na fase de análise dos dados.
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