Manejo da Via Aérea Difícil em Cirurgia de Emergência

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 65 anos necessita de correção emergencial de fratura exposta e lesão vascular em membro superior esquerdo, com tempo cirúrgico estimado de 4 horas. AP: HAS, DM, obesidade grau II, roncos e sonolência durante o dia, dificuldade no manejo de via aérea em cirurgias anteriores. Exame físico: ansioso, PA 140/90 mmHg, edêntulo, com pequena abertura bucal (menor que 3,5 cm) e espaço submandibular firme à palpação. Última refeição há 3 horas.A conduta mais indicada é:

Alternativas

  1. A) suspender o procedimento até que o tempo de jejum para sólidos seja de 8 horas.
  2. B) realizar indução e intubação sob sequência rápida, evi￾tando ventilação sob pressão positiva durante etapa de pré-oxigenação.
  3. C) proceder com realização da cirurgia sob sedação e infiltração local, para que se evite manipulação das vias aéreas.
  4. D) prosseguir com intubação via fibroscopia óptica com paciente acordado e mantendo reflexos protetores de via aérea, antes de indução da anestesia geral.

Pérola Clínica

Paciente com via aérea difícil conhecida e jejum inadequado para cirurgia de emergência → Intubação com fibroscopia óptica acordado é a conduta mais segura.

Resumo-Chave

Em pacientes com múltiplos fatores de risco para via aérea difícil (obesidade, abertura bucal limitada, histórico) e jejum incompleto, a intubação com fibroscopia óptica com o paciente acordado minimiza o risco de aspiração e falha na intubação, protegendo a via aérea.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea em pacientes com fatores de risco para via aérea difícil, especialmente em situações de emergência e jejum inadequado, é um dos maiores desafios na anestesiologia. A identificação pré-operatória desses fatores, como obesidade, abertura bucal limitada e histórico de intubação difícil, é crucial para planejar a abordagem mais segura e evitar complicações graves. A fisiopatologia da via aérea difícil envolve alterações anatômicas ou funcionais que impedem a ventilação com máscara ou a intubação traqueal. Em um cenário de emergência com jejum incompleto, o risco de aspiração pulmonar é elevado. A intubação de sequência rápida, embora comum, é contraindicada em via aérea difícil conhecida e risco de aspiração, pois a ventilação sob pressão positiva pode insuflar o estômago e a perda rápida dos reflexos protetores aumenta o risco de aspiração. A conduta mais segura para este paciente é a intubação via fibroscopia óptica com o paciente acordado. Esta técnica permite a visualização direta das estruturas da via aérea, mantendo os reflexos protetores do paciente e minimizando o risco de aspiração. Após a intubação bem-sucedida e a confirmação da posição do tubo, a anestesia geral pode ser induzida com segurança. Este planejamento cuidadoso é fundamental para a segurança do paciente e para a preparação de residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais preditores de via aérea difícil?

Preditores incluem obesidade, abertura bucal limitada (<3,5 cm), micrognatia, retrognatia, pescoço curto e grosso, mobilidade cervical reduzida, e histórico de intubação difícil.

Por que a intubação com fibroscopia óptica acordado é preferível em via aérea difícil e jejum inadequado?

Permite a visualização direta das estruturas da via aérea, mantendo os reflexos protetores do paciente e minimizando o risco de aspiração pulmonar, especialmente em casos de jejum incompleto.

Qual o risco de realizar intubação de sequência rápida em paciente com jejum inadequado?

O principal risco é a aspiração pulmonar do conteúdo gástrico, que pode levar a pneumonite química ou pneumonia aspirativa, com morbimortalidade significativa.

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