Via Aérea Difícil: Fatores de Risco e Avaliação

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Qual das seguintes características abaixo sugere uma via aérea difícil de ventilar/entubar?

Alternativas

  1. A) Abertura da boca de 6 cm.
  2. B) Cirurgia de artrodese cervical.
  3. C) Distância tireomentoniana aumentada.
  4. D) Visualização da úvula, no teste de Mallampati.

Pérola Clínica

Cirurgia de artrodese cervical → mobilidade cervical ↓ → via aérea difícil.

Resumo-Chave

A cirurgia de artrodese cervical limita significativamente a mobilidade do pescoço, o que dificulta o alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo, tornando a ventilação e intubação traqueal mais desafiadoras e aumentando o risco de via aérea difícil.

Contexto Educacional

A avaliação da via aérea é um componente crítico da anestesia e do manejo de emergências, pois a incapacidade de ventilar ou intubar pode levar a desfechos catastróficos. A identificação de uma via aérea difícil é fundamental para o planejamento adequado e a preparação de estratégias alternativas. Uma via aérea difícil é definida como a dificuldade em ventilar um paciente com máscara facial, em realizar intubação traqueal, ou em ambos. Fatores que predizem uma via aérea difícil incluem características anatômicas (como micrognatia, macroglossia, pescoço curto e grosso), condições patológicas (tumores orofaríngeos, artrite reumatoide com envolvimento cervical) e histórico de cirurgias. A cirurgia de artrodese cervical, por exemplo, limita severamente a mobilidade da coluna cervical, impedindo a extensão do pescoço e, consequentemente, o alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo, o que é essencial para a visualização da glote durante a laringoscopia direta. A avaliação pré-operatória da via aérea deve incluir a inspeção visual, palpação e testes funcionais como a abertura da boca, distância tireomentoniana e o teste de Mallampati. A presença de múltiplos fatores de risco aumenta significativamente a probabilidade de uma via aérea difícil. O manejo de uma via aérea difícil exige um plano de ação claro, que pode incluir o uso de dispositivos supraglóticos, laringoscopia por vídeo, intubação com fibra óptica ou, em último caso, uma via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais preditores de via aérea difícil?

Preditores incluem: abertura da boca limitada (<3 cm), distância tireomentoniana curta (<6 cm), Mallampati III ou IV, mobilidade cervical reduzida (como na artrodese), obesidade, pescoço curto e grosso, e história prévia de intubação difícil.

Por que a artrodese cervical dificulta a intubação?

A artrodese cervical restringe a extensão e flexão do pescoço, impedindo o alinhamento adequado dos eixos oral, faríngeo e laríngeo, que é fundamental para a visualização da glote durante a laringoscopia.

O que é o teste de Mallampati e qual sua importância?

O teste de Mallampati avalia a visualização das estruturas orofaríngeas com a boca aberta e a língua protruída. Um Mallampati classe III ou IV (visualização limitada ou ausente da úvula e pilares) sugere maior dificuldade de intubação.

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