Via Aérea Difícil: Manejo no Cenário "Não Ventila, Não Intuba"

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 29 anos, 180 kg, 1,70 m será submetido a cirurgia bariátrica sob anestesia geral. Antes da indução anestésica, o paciente é posicionado para alinhamento dos eixos da via aérea e submetido a pré-oxigenação com FiO2 100%. Após administração do fentanil, propofol e rocurônio não foi possível a ventilação com máscara facial. Realizada a tentativa da intubação orotraqueal, sem sucesso. Diante do quadro, assinale a alternativa com a 1ª conduta a ser realizada.

Alternativas

  1. A) Realização da cricotireoidostomia.
  2. B) Utilização do broncofibroscópio.
  3. C) Utilização da máscara laríngea.
  4. D) Realização da traqueostomia.

Pérola Clínica

Cenário "não ventila, não intuba" → usar dispositivo supraglótico (máscara laríngea) como 1ª linha.

Resumo-Chave

Em um cenário de via aérea difícil onde não é possível ventilar com máscara facial nem intubar (situação "não ventila, não intuba"), a prioridade é restabelecer a oxigenação. A máscara laríngea é a primeira escolha para essa situação, pois é um dispositivo supraglótico de fácil inserção e que permite ventilação, sendo menos invasiva que uma via aérea cirúrgica.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea em pacientes obesos mórbidos para cirurgia bariátrica é um desafio significativo na anestesiologia, devido a alterações anatômicas e fisiológicas que aumentam o risco de via aérea difícil. A obesidade está associada a um maior risco de intubação difícil e ventilação com máscara facial inadequada, além de uma menor reserva de oxigênio, o que torna a pré-oxigenação e o manejo rápido da via aérea cruciais. O posicionamento adequado ("ramped position") é fundamental para otimizar o alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo. O cenário de "não ventila, não intuba" é uma emergência anestésica que exige um plano de ação rápido e bem definido. Após a falha em ventilar com máscara facial e a falha na intubação orotraqueal, a prioridade imediata é restabelecer a oxigenação do paciente. O algoritmo de via aérea difícil preconiza a utilização de dispositivos supraglóticos, como a máscara laríngea, como a primeira linha de ação nesse contexto. Esses dispositivos são projetados para serem inseridos rapidamente e permitir a ventilação, mesmo em situações de via aérea difícil. A cricotireoidostomia é uma via aérea cirúrgica de emergência, mais invasiva, e deve ser considerada apenas após a falha de tentativas menos invasivas, como a máscara laríngea. A traqueostomia é um procedimento eletivo ou de urgência, mas não de emergência para o cenário agudo de "não ventila, não intuba". O broncofibroscópio é uma ferramenta para intubação, mas não a primeira conduta quando a ventilação já está comprometida e a intubação falhou, pois requer tempo e habilidade específica, e o objetivo primário é ventilar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para via aérea difícil em pacientes obesos?

Fatores de risco incluem IMC elevado, pescoço curto e grosso, circunferência cervical aumentada, apneia obstrutiva do sono, limitação da extensão cervical e Mallampati alto.

Qual a sequência de ações no algoritmo "não ventila, não intuba"?

Após falha na ventilação com máscara e intubação, a primeira conduta é a inserção de um dispositivo supraglótico (ex: máscara laríngea). Se falhar, considerar via aérea cirúrgica de emergência (cricotireoidostomia).

Por que a máscara laríngea é preferível à cricotireoidostomia como primeira conduta?

A máscara laríngea é menos invasiva, mais rápida de inserir e tem alta taxa de sucesso em restabelecer a ventilação, enquanto a cricotireoidostomia é um procedimento cirúrgico de emergência reservado para falha de todas as outras opções.

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