Via Aérea Difícil: Manejo e Dispositivos de Resgate

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Fernanda é uma médica recém‑formada. Ela estava trabalhando em uma unidade de resgate avançado com todos os materiais disponíveis e foi chamada para atender um paciente adulto encontrado caído na via pública, o qual tinha indicação de intubação orotraqueal. Após a utilização da medicação pré‑intubação, Fernanda não conseguiu a via aérea definitiva após três tentativas e o paciente começou a desaturar. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta a ser adotada nesse momento.

Alternativas

  1. A) realizar a manobra de Sellick e instalar cateter de 2 a 12 litros/minuto
  2. B) realizar uma cricotireoidostomia por punção
  3. C) realizar uma cricotireoidostomia cirúrgica
  4. D) utilizar combitubo (dispositivo extraglótico)
  5. E) tentar novamente a intubação, hiperextendendo o pescoço e colocando um coxin abaixo dos ombros

Pérola Clínica

Falha em 3 tentativas de IOT + desaturação → Via aérea de resgate (Combitubo, Máscara Laríngea) antes de via aérea cirúrgica.

Resumo-Chave

Em um cenário de 'não intuba, não ventila' ou falha repetida na intubação com desaturação, a prioridade é restabelecer a oxigenação. Dispositivos extraglóticos como o Combitubo ou a máscara laríngea são opções rápidas e eficazes para uma via aérea de resgate antes de procedimentos cirúrgicos mais invasivos.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea é uma das habilidades mais críticas em medicina de emergência. A falha na intubação orotraqueal (IOT) e a incapacidade de ventilar o paciente podem levar rapidamente à hipóxia cerebral e morte. É fundamental seguir um algoritmo claro para via aérea difícil, que prioriza a oxigenação do paciente. Após falha em múltiplas tentativas de IOT e com o paciente desaturando, a situação evolui para um cenário de 'não intuba, não ventila'. Nesse ponto, a prioridade é oxigenar o paciente. Dispositivos extraglóticos, como o Combitubo ou a máscara laríngea, são projetados para serem inseridos rapidamente e fornecer ventilação adequada, servindo como uma ponte até uma via aérea definitiva ou para estabilização. A cricotireoidostomia (cirúrgica ou por punção) é uma via aérea cirúrgica de emergência, reservada para situações em que todas as outras tentativas de ventilação falharam e a vida do paciente está em risco iminente. Ela é mais invasiva e requer treinamento específico. A escolha do Combitubo como próxima etapa é apropriada por ser um método menos invasivo que a cricotireoidostomia cirúrgica e mais rápido que uma nova tentativa de IOT em um cenário de falha repetida.

Perguntas Frequentes

Quando considerar uma via aérea difícil?

Uma via aérea difícil é considerada quando há dificuldade em ventilar o paciente com máscara facial, dificuldade na laringoscopia ou na intubação orotraqueal. Fatores anatômicos ou patológicos podem contribuir para essa dificuldade.

Quais são os dispositivos extraglóticos de resgate mais comuns?

Os dispositivos extraglóticos de resgate mais comuns incluem a máscara laríngea (LMA) e o Combitubo. Eles são projetados para serem inseridos cegamente e fornecer ventilação eficaz em situações de via aérea difícil, servindo como uma ponte para uma via aérea definitiva.

Qual a diferença entre cricotireoidostomia por punção e cirúrgica?

A cricotireoidostomia por punção envolve a inserção de um cateter através da membrana cricotireóidea para ventilação temporária. A cricotireoidostomia cirúrgica é um procedimento mais definitivo, onde uma incisão é feita para inserir um tubo traqueal, sendo indicada quando a ventilação por punção é insuficiente ou contraindicada.

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