Visão Laser - Centro Oftalmológico (SP) — Prova 2020
Paciente feminina, 27 anos, vítima de espancamento há 30 minutos é trazida pelo resgate em prancha rígida, com colar cervical e cateter de oxigênio com 2 l/min. Apresenta trauma facial importante, hematoma periorbital bilateral e grande quantidade de secreções e sangue em orofaringe. Na ausculta pulmonar apresenta redução de murmúrio a direita, sem macicez, sem hipertimpanismo, com roncos de transmissão e hematomas em toda parede torácica anterior. Sinais vitais da admissão: PA: 110x50 mmHg, FC: 110bpm, Sat 85%, T: 34,9º. Mantém-se com abertura ocular ao estímulo de pressão/dor, confusa, localizando a dor aos estímulos dolorosos. Assinale a alternativa correta:
Trauma facial grave + secreções orofaringe + Sat O2 85% → Via aérea definitiva para proteção e oxigenação.
Pacientes com trauma facial significativo e presença de sangue/secreções na orofaringe têm alto risco de aspiração, mesmo que o Glasgow não indique coma profundo. A hipoxemia (Sat 85%) é um sinal de via aérea comprometida ou ventilação inadequada, reforçando a necessidade de intervenção imediata para garantir a permeabilidade e proteção da via aérea.
A avaliação e o manejo da via aérea são as prioridades absolutas no atendimento ao traumatizado, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Pacientes com trauma facial significativo, como o descrito, apresentam um desafio particular devido à distorção anatômica e ao risco de sangramento e edema, que podem comprometer rapidamente a permeabilidade da via aérea. A presença de secreções e sangue na orofaringe eleva drasticamente o risco de aspiração, uma complicação potencialmente fatal. A indicação de via aérea definitiva não se restringe apenas a pacientes com Glasgow Coma Scale < 8. Outros fatores críticos incluem o risco de aspiração, obstrução iminente da via aérea (por edema, hematoma ou corpos estranhos), hipoxemia refratária à oxigenoterapia e a necessidade de ventilação controlada. No caso apresentado, a saturação de oxigênio de 85% e a grande quantidade de secreções e sangue na orofaringe são indicativos claros de comprometimento da via aérea e risco de aspiração, justificando a intubação orotraqueal. A decisão de intubar deve ser rápida e baseada na avaliação clínica global. A proteção da via aérea contra aspiração é tão vital quanto a garantia de oxigenação e ventilação. Em pacientes com trauma facial, a intubação pode ser mais desafiadora, exigindo técnicas específicas ou o uso de dispositivos avançados de via aérea. A estabilização hemodinâmica, embora importante, não precede a garantia de uma via aérea patente e protegida em situações de risco iminente.
Os critérios incluem Glasgow < 8, risco de aspiração (sangue, vômito, secreções), obstrução iminente da via aérea, hipoxemia refratária à oxigenoterapia e necessidade de hiperventilação controlada em casos específicos de trauma cranioencefálico grave.
A presença de sangue e secreções na orofaringe, especialmente em um paciente com trauma facial, representa um alto risco de aspiração pulmonar, o que pode levar a complicações graves como pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória e até óbito.
Embora um Glasgow < 8 seja uma indicação clássica para intubação, outros fatores como a proteção da via aérea contra aspiração ou a necessidade de ventilação adequada podem justificar a via aérea definitiva mesmo com um Glasgow mais alto, como no caso de trauma facial grave.
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