AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
A distribuição inadequada de sangue oxigenado para o cérebro e outras estruturas vitais é uma causa rápida de óbito de pacientes politraumatizados. Uma via aérea protegida e desobstruída e ventilação adequada são essenciais para prevenir a hipoxemia. Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo: I. Pacientes com queimaduras faciais e aqueles com potencial lesão por inalação estão em risco de insidioso comprometimento respiratório, sendo o sintoma mais precoce a queda da saturação, que indica para a instalação de uma máscara laríngea. II. Uma via aérea definitiva é definida como colocação de um tubo endotraqueal com o balonete insuflado abaixo das cordas vocais e o tubo conectado a uma forma de ventilação assistida enriquecida com oxigênio. III. Ferimentos penetrantes cervicais podem causar lesão vascular com hematoma significativo, que pode resultar em deslocamento e obstrução das vias aéreas, portanto, nestes casos, uma via aérea cirúrgica é a preferência. IV. Em pacientes politraumatizados com indicação de via aérea definitiva, nos casos em que a visualização adequada das estruturas da hipofaringe não é possível, uma cânula orofaríngea promove a oferta adequada de oxigênio e a proteção da via aérea. Estão corretas as assertivas:
Via aérea definitiva = Tubo na traqueia + balonete insuflado + conexão a oxigênio.
A via aérea definitiva requer isolamento da traqueia com balonete insuflado. Dispositivos supraglóticos ou cânulas não protegem contra aspiração nem garantem patência em obstruções progressivas.
O manejo das vias aéreas é o primeiro passo do ABCDE do trauma. A prioridade é garantir a oxigenação cerebral, pois a hipóxia é a causa mais rápida de óbito evitável. O reconhecimento de quando uma via aérea definitiva é necessária — seja por apneia, proteção contra aspiração, trauma maxilofacial grave ou incapacidade de manter oxigenação — é fundamental para o médico emergencista. No contexto de traumas cervicais, hematomas expansivos podem desviar a anatomia, tornando a intubação difícil. Embora a via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia) seja uma opção em falhas de intubação, a tentativa inicial geralmente é a intubação orotraqueal sob visualização direta ou auxílio de vídeo. O uso de cânulas orofaríngeas (Guedel) serve apenas para manter a língua afastada da parede posterior da faringe em pacientes inconscientes, não oferecendo proteção definitiva.
Segundo o ATLS, uma via aérea definitiva é caracterizada pela presença de um tubo na traqueia (endotraqueal ou via aérea cirúrgica), com o balonete (cuff) insuflado abaixo das cordas vocais, devidamente fixado e conectado a uma fonte de ventilação assistida enriquecida com oxigênio. Sem o balonete insuflado ou sem a conexão ventilatória, não se cumpre o critério de proteção e ventilação adequadas para o paciente crítico.
Embora a máscara laríngea seja um dispositivo de resgate útil em situações de 'não consigo intubar, não consigo ventilar', ela é um dispositivo supraglótico. Isso significa que ela não isola a traqueia de forma definitiva contra a aspiração de conteúdo gástrico ou sangue, nem garante a patência da via aérea em casos de edema glótico progressivo ou hematomas expansivos, sendo considerada apenas uma medida temporária.
Pacientes com queimaduras faciais, estigmas de inalação (fuligem, vibrissas queimadas) ou rouquidão devem ser monitorados de perto. O comprometimento respiratório pode ser insidioso devido ao edema progressivo. A queda da saturação é um sinal tardio. A indicação correta nesses casos de risco iminente é a intubação orotraqueal precoce (via aérea definitiva) antes que o edema torne a visualização das cordas vocais impossível.
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