Manejo de Via Aérea no Trauma: Quando é Definitiva?

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 22a, vítima de colisão frontal de carro a 90 km/hora, em banco dianteiro, sem usar cinto de segurança, colidindo a cabeça contra o para brisas. Exame físico na cena: inconsciente, FR= 30 irpm, FC= 110 bpm PA= 130x80 mmHg; oximetria (máscara de oxigênio 10 litros/minuto) = 90%, trauma de face, sangue em cavidade oral e anisocoria. Após duas tentativas frustradas de intubação orotraqueal com o uso de medicações apropriadas, optou-se pela ventilação através de máscara laríngea. Admitido após 20 minutos, em ambiente hospitalar, mantinha boa saturação de oxigênio e estabilidade hemodinâmica após receber 500 ml de Ringer lactato. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Manter a ventilação pela máscara laríngea e tomografia computadorizada de crânio.
  2. B) Providenciar uma via aérea definitiva e tomografia computadorizada de corpo inteiro.
  3. C) Manter a ventilação pela máscara laríngea e tomografia computadorizada de corpo inteiro.
  4. D) Realizar cricotireoideostomia por punção e tomografia computadorizada de crânio.

Pérola Clínica

Máscara laríngea ≠ via aérea definitiva; em TCE grave (anisocoria) → IOT ou via aérea cirúrgica.

Resumo-Chave

A máscara laríngea é um dispositivo supraglótico temporário. Pacientes com trauma grave e rebaixamento de consciência necessitam de via aérea definitiva (tubo na traqueia com balonete insuflado).

Contexto Educacional

No atendimento ao trauma (ABCDE), a manutenção da via aérea com proteção da coluna cervical é a prioridade 'A'. Dispositivos supraglóticos são excelentes pontes em situações de 'não consigo intubar, consigo ventilar', mas não substituem a via aérea definitiva em pacientes com risco de aspiração ou necessidade de ventilação mecânica prolongada. Em pacientes estáveis hemodinamicamente após manobras iniciais, mas com lesões neurológicas graves, a estabilização da via aérea precede o transporte para a radiologia (TC de corpo inteiro ou 'pan-scan').

Perguntas Frequentes

O que define uma via aérea definitiva?

Uma via aérea definitiva é definida pela presença de um tubo na traqueia com o balonete (cuff) insuflado abaixo das cordas vocais, conectado a uma fonte de oxigênio e fixado adequadamente. Exemplos incluem a intubação orotraqueal, nasotraqueal ou via aérea cirúrgica (cricotireoideostomia ou traqueostomia). Dispositivos supraglóticos como a máscara laríngea não são definitivos.

Quais as indicações de via aérea definitiva no trauma?

As indicações incluem: apneia, incapacidade de manter oxigenação adequada por máscara, proteção da via aérea contra aspiração (sangue ou vômito), comprometimento iminente da via aérea (trauma inalatório ou facial grave), e rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8).

Por que a máscara laríngea falha como conduta final neste caso?

O paciente apresenta sinais de hipertensão intracraniana (anisocoria e inconsciência) e trauma de face com sangue na cavidade oral. A máscara laríngea não protege contra a aspiração de sangue e não garante o controle rigoroso da PaCO2 necessário no manejo do TCE grave. Portanto, a conversão para uma via aérea definitiva é prioritária antes da tomografia.

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