ATLS: Indicação de Via Aérea Definitiva no Trauma Grave

ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 35 anos de idade, vítima de acidente automobilístico em que era o motorista, foi ejetado do veículo, foi levado pelos bombeiros inconsciente, hipotenso com PA = 90 mmHg x 60 mmHg, FC = 128 bpm e taquicárdico. Em relação ao atendimento inicial ao trauma, preconizado pelo Advanced Trauma Life Suport (ATLS), assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) As radiografias indicadas são de abdome, de tórax, de coluna cervical e de crânio.
  2. B) O volume inicial de líquidos a ser infundido é de 2.000 mL de soro aquecido.
  3. C) O paciente tem indicação de via aérea definitiva.
  4. D) Como o paciente está inconsciente, a principal hipótese é de traumatismo cranioencefálico.
  5. E) O uso do ácido tranexâmico é indicado após 24 horas, em sangramentos volumosos.

Pérola Clínica

Paciente traumatizado inconsciente (Glasgow < 8) ou com risco de via aérea comprometida → indicação de via aérea definitiva.

Resumo-Chave

A inconsciência em um paciente traumatizado, especialmente com mecanismo de trauma de alta energia (ejeção do veículo) e sinais de choque, indica a necessidade de proteção da via aérea. A escala de coma de Glasgow abaixo de 8 é um critério clássico para via aérea definitiva.

Contexto Educacional

O atendimento inicial ao paciente traumatizado é uma sequência padronizada e crítica, preconizada pelo Advanced Trauma Life Support (ATLS). A abordagem sistemática (ABCDE) visa identificar e tratar as lesões que ameaçam a vida de forma imediata. A avaliação da via aérea (A) e da respiração (B) são as prioridades iniciais, seguidas pela circulação (C), déficit neurológico (D) e exposição (E). Neste caso, o paciente inconsciente (sugerindo Glasgow < 8), ejetado do veículo e com sinais de choque (hipotensão e taquicardia), apresenta múltiplos fatores de risco para comprometimento da via aérea e lesão cerebral. A inconsciência por si só é uma indicação para via aérea definitiva, pois o paciente não consegue proteger sua própria via aérea, aumentando o risco de aspiração e obstrução. A fisiopatologia envolve a perda dos reflexos protetores da via aérea devido à disfunção neurológica. A conduta de estabelecer uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal, é essencial para garantir a oxigenação e ventilação adequadas, além de proteger contra aspiração. Outras alternativas, como radiografias de crânio (não rotineiras no trauma), volume inicial de líquidos (2000 mL é excessivo como dose inicial sem reavaliação) e uso de ácido tranexâmico (indicado para sangramento, mas não a prioridade imediata sobre a via aérea), não são a melhor conduta inicial ou estão incorretas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para via aérea definitiva no trauma?

Os critérios incluem escala de coma de Glasgow menor ou igual a 8, incapacidade de manter a via aérea pérvia, risco de aspiração, e trauma facial ou cervical grave com potencial de obstrução.

Qual o volume inicial de líquidos no choque hipovolêmico traumático?

O volume inicial recomendado para adultos é de 1000 mL de cristaloides aquecidos, com reavaliação. Em crianças, 20 mL/kg.

Quando o ácido tranexâmico é indicado no trauma?

O ácido tranexâmico é indicado em pacientes com hemorragia significativa ou risco de sangramento maciço, preferencialmente administrado nas primeiras 3 horas após o trauma.

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