Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2025
Homem, 58 anos, dá entrada no pronto socorro trazido pelo SAMU, vítima de colisão auto x poste. À entrada apresenta-se agitado, com respiração ruidosa, sinais de esforço respiratório, taquipneia e cianose central. À inspeção imediata o plantonista identifica hematoma periorbitário bilateral além de trauma facial extenso, com fraturas bilaterais de mandibula, além de edema e hematoma significativo na região cervical, tornando impossível a ventilação adequada por máscara. A saturação de oxigênio está em 85%. Não é possível visualizar as cordas vocais devido ao edema e ao sangramento na orofaringe. No caso acima, qual deve ser a conduta imediata para garantir via aérea neste paciente?
Trauma facial grave com via aérea obstruída e falha na intubação orotraqueal → Cricotireoidostomia cirúrgica de emergência.
Em um cenário de trauma com impossibilidade de intubação orotraqueal e ventilação por máscara (via aérea falha), a cricotireoidostomia cirúrgica é o procedimento de escolha para garantir uma via aérea definitiva e salvar a vida do paciente. A intubação nasotraqueal é contraindicada.
O manejo da via aérea é a prioridade máxima ('A' do ABCDE) no atendimento ao politraumatizado, conforme as diretrizes do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Uma via aérea pérvia e protegida é essencial para garantir a oxigenação e prevenir lesões cerebrais secundárias. Em muitos casos, a intubação orotraqueal com estabilização da coluna cervical é o procedimento padrão. No entanto, em situações de trauma maxilofacial extenso, com fraturas, edema e sangramento, a visualização das cordas vocais pode ser impossível, e a ventilação com bolsa-válvula-máscara pode ser ineficaz. Esse cenário é classificado como uma 'via aérea falha' ou 'não consigo intubar, não consigo ventilar'. A intubação nasotraqueal é formalmente contraindicada na presença de fraturas faciais graves pelo risco de lesão da base do crânio. Nesses casos críticos, a obtenção de uma via aérea cirúrgica de emergência é mandatória. O procedimento de escolha para adultos e crianças maiores é a cricotireoidostomia cirúrgica. É uma técnica mais rápida e com menos complicações imediatas que a traqueostomia, realizada através de uma incisão na membrana cricotireóidea para inserção de um tubo. É um procedimento salvador de vidas que deve ser dominado por todo médico que atua em emergência.
A cricotireoidostomia é indicada em cenários de 'não consigo intubar, não consigo ventilar', como em trauma maxilofacial grave, edema de glote por anafilaxia ou queimaduras, ou obstrução por corpo estranho que não pode ser removido.
A traqueostomia é um procedimento mais complexo, demorado e com maior risco de complicações imediatas (sangramento, pneumotórax). É realizada em ambiente controlado (centro cirúrgico), enquanto a cricotireoidostomia é mais rápida para garantir uma via aérea na sala de emergência.
A via aérea cirúrgica é um resgate final. Tenta-se primeiro a intubação orotraqueal e a ventilação com bolsa-válvula-máscara. Se ambas falham e o paciente está em hipóxia grave, ou se há obstrução anatômica intransponível, a via aérea cirúrgica é mandatória.
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