Trauma de Face Grave: Via Aérea Cirúrgica de Emergência

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022

Enunciado

Um motociclista de 19 anos de idade foi levado à emergência após ser resgatado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, vítima de acidente automobilístico moto versus carro, colisão frontal e cinemática grave. Na chegada, o paciente encontrava-se imobilizado em maca rígida, com imobilização de coluna cervical. A via aérea não estava pérvia, e o paciente tinha dificuldade de falar por causa da grande quantidade de sangue e fratura de face e maxila. Constataram-se murmúrio vesicular (MV) abolido à direita por meio de ausculta pulmonar, enfisema subcutâneo em hemitórax à direita, FR = 25 irpm,FC = 128 bpm, PA = 140 x 110 mmHg, SatO2 = 91%, máscara com reservatório a 10 litros/minuto. Considerando esse caso clínico, a avaliação inicial será interrompida, pois

Alternativas

  1. A) drenagem de tórax deve ser a conduta imediata.
  2. B) via aérea cirúrgica deve ser a conduta nesse momento.
  3. C) raios X de tórax, para confirmar diagnóstico de pneumotórax, estão indicados na avaliação primária.
  4. D) toracotomia de urgência à direita está determinado.
  5. E) reposição de Ringer lactato e hemocomponentes está indicada nesse momento.

Pérola Clínica

Trauma de face grave + via aérea não pérvia = via aérea cirúrgica imediata (cricotireoidostomia).

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma grave de face e maxila que compromete a patência da via aérea e impede a intubação orotraqueal, a via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia) é a conduta de escolha e deve ser realizada imediatamente, interrompendo a avaliação primária para garantir a oxigenação.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea é a prioridade 'A' na avaliação primária do trauma, conforme o Advanced Trauma Life Support (ATLS). Em casos de trauma maxilofacial grave, com fraturas extensas e sangramento que impedem a intubação orotraqueal, a via aérea pode ser rapidamente comprometida. A presença de via aérea não pérvia, dificuldade de fala por sangue e fratura de face/maxila, associada a sinais de insuficiência respiratória (SatO2 baixa, taquipneia), indica a necessidade urgente de uma via aérea definitiva. Nesses cenários, a intubação orotraqueal pode ser impossível ou contraindicada. A cricotireoidostomia cirúrgica é o método de escolha para estabelecer uma via aérea em emergências quando a intubação orotraqueal falha ou é inviável devido a trauma de face ou obstrução de via aérea superior. Esta intervenção salva vidas e deve ser realizada sem demora, interrompendo outras etapas da avaliação primária para garantir a oxigenação e ventilação.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para cricotireoidostomia de emergência?

A cricotireoidostomia de emergência é indicada quando há falha na intubação orotraqueal, obstrução de via aérea superior por trauma de face ou pescoço, edema de glote ou sangramento maciço que impede a visualização das cordas vocais.

Como identificar uma via aérea comprometida em trauma de face?

Sinais de via aérea comprometida incluem estridor, rouquidão, dificuldade respiratória, uso de musculatura acessória, agitação, cianose, sangramento orofaríngeo abundante e fraturas faciais extensas que distorcem a anatomia.

Qual a prioridade no manejo inicial de um paciente com trauma grave?

A prioridade no manejo inicial de um paciente traumatizado segue a sequência do ATLS: A (Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Respiração e Ventilação), C (Circulação com controle de hemorragia), D (Déficit Neurológico) e E (Exposição e Controle de Hipotermia).

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