Via Aérea Avançada no Trauma: Técnicas e Contraindicações

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Na ordem hierárquica do atendimento ao politraumatizado, a obtenção da via aérea e a estabilização da coluna cervical constituem o ""A"" do mnemônico ABCDE. Quanto aos conceitos básicos das vias aéreas avançadas, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A intubação orotraqueal constitui a principal via aérea definitiva não cirúrgica; uma de suas principais indicações é o coma (escore de Glasgow < ou = 8 e, dentre suas complicações, a broncoaspiração, as lacerações da mucosa da via aérea e a intubação seletiva são descritas.
  2. B) A cricotireoidostomia consiste num acesso temporário de via aérea, sendo realizada por punção ou de forma cirúrgica na sala de trauma. Em pacientes menores de 12 anos essa é a técnica preferível, pelos riscos de lesão definitiva envolvendo a traqueostomia.
  3. C) O pneumotórax, a fístula traqueobrônquica e o falso trajeto são complicações que ocorrem na realização de traqueostomias.
  4. D) Pacientes com trismo intenso, sem fraturas de face ou base de crânio podem ser submetidos à intubação nasotraqueal, porém, para tanto, devem estar conscientes.
  5. E) A máscara laríngea é uma alternativa para manter pérvia a via aérea em pacientes cuja ventilação por máscara não obteve sucesso.

Pérola Clínica

Cricotireoidostomia cirúrgica é contraindicada em <12 anos; preferir punção com agulha ou traqueostomia.

Resumo-Chave

A cricotireoidostomia cirúrgica é uma via aérea de emergência para adultos, mas é contraindicada em crianças menores de 12 anos devido ao risco de lesão da cartilagem cricoide, que é o anel mais estreito da via aérea pediátrica, podendo levar a estenose subglótica permanente. Nesses casos, a punção cricotireoidiana com agulha (jet ventilation) ou traqueostomia são preferíveis.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea é a prioridade 'A' no atendimento ao politraumatizado, conforme o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support). A intubação orotraqueal é a via aérea definitiva não cirúrgica mais comum, indicada em pacientes com Glasgow ≤ 8, insuficiência respiratória ou incapacidade de proteger a via aérea, sendo um procedimento fundamental na emergência. Em situações de 'não intubo, não ventilo', onde a intubação falha e a ventilação por máscara é ineficaz, uma via aérea cirúrgica de emergência é necessária. A cricotireoidostomia é a técnica preferencial em adultos, por ser rápida e relativamente simples. No entanto, em crianças menores de 12 anos, a cricotireoidostomia cirúrgica é contraindicada devido ao risco de lesão da cartilagem cricoide e estenose subglótica. Para crianças, a punção cricotireoidiana com agulha (com ventilação a jato) é uma alternativa temporária, ou a traqueostomia se houver tempo e expertise. Complicações das vias aéreas avançadas incluem broncoaspiração, lacerações, intubação seletiva, pneumotórax e fístulas traqueobrônquicas, exigindo vigilância constante e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais as principais indicações para intubação orotraqueal em politraumatizados?

As principais indicações incluem escore de Glasgow igual ou inferior a 8, insuficiência respiratória grave, incapacidade de proteger a via aérea (coma, trauma de face), hipoxemia ou hipercapnia refratárias e necessidade de ventilação mecânica prolongada.

Quando a cricotireoidostomia é a via aérea de escolha?

A cricotireoidostomia é indicada como via aérea cirúrgica de emergência quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada (ex: trauma de face grave, obstrução de via aérea superior) e não há tempo para traqueostomia, sendo uma medida salvadora.

Por que a cricotireoidostomia é contraindicada em crianças pequenas?

Em crianças menores de 12 anos, a cricotireoidostomia cirúrgica é contraindicada devido ao risco de lesão da cartilagem cricoide, que é o ponto mais estreito da via aérea pediátrica, podendo levar a estenose subglótica permanente e complicações graves.

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