Vesícula em Porcelana: Riscos e Conduta Cirúrgica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma mulher de 57 anos de idade, portadora de litíase biliar diagnosticada há 12 anos por ultrassonografia abdominal, tem antecedentes de três episódios sugestivos de colecistite aguda tratados clinicamente. Não tem outras comorbidades. Submetida à ultrassonografia abdominal há cerca de duas semanas, em decorrência de novo quadro de dor abdominal em cólica, o exame mostrou, além de vários cálculos pequenos no interior da vesícula, placas opacificando os contornos da parede, sugerindo "vesícula em porcelana". Qual a conduta mais indicada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Litotripsia extracorpórea.
  2. B) Tratamento cirúrgico.
  3. C) Emprego do ácido ursodesoxicólico.
  4. D) Colangioressonância.
  5. E) Mudanças de dieta e analgésicos sob demanda.

Pérola Clínica

Vesícula em porcelana → ↑ risco de adenocarcinoma → indicação absoluta de colecistectomia.

Resumo-Chave

A vesícula em porcelana é uma calcificação da parede biliar decorrente de inflamação crônica, apresentando alto risco de malignização, o que justifica a cirurgia profilática.

Contexto Educacional

A vesícula em porcelana representa o estágio final de uma colecistite crônica, onde a parede biliar é substituída por tecido fibroso e depósitos de cálcio. Na prática clínica, o diagnóstico costuma ser um achado incidental em exames de imagem para dor abdominal inespecífica. A relevância cirúrgica reside na prevenção do adenocarcinoma de vesícula, uma neoplasia agressiva com baixa sobrevida em estágios avançados. A colecistectomia videolaparoscópica é preferível, embora a fibrose intensa possa exigir conversão para cirurgia aberta em casos complexos.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a vesícula em porcelana no exame de imagem?

A vesícula em porcelana é caracterizada pela calcificação difusa ou segmentar da parede da vesícula biliar, visível na ultrassonografia como placas hiperecogênicas com sombra acústica posterior ou na tomografia como um contorno radiopaco da parede. Frequentemente está associada à colelitíase de longa data e episódios repetidos de colecistite crônica.

Qual a relação entre vesícula em porcelana e câncer?

Historicamente, a vesícula em porcelana foi associada a uma incidência de adenocarcinoma de vesícula biliar em até 25% dos casos. Embora estudos mais recentes sugiram que o risco possa ser menor (em torno de 6% a 15%), a gravidade e o prognóstico reservado do câncer de vesícula mantêm a recomendação de colecistectomia profilática como padrão-ouro.

A colecistectomia deve ser realizada mesmo em pacientes assintomáticos?

Sim. Devido ao potencial de transformação maligna silenciosa, a presença de calcificação da parede da vesícula (vesícula em porcelana) é uma indicação formal de tratamento cirúrgico (colecistectomia), independentemente da presença de sintomas biliares agudos no momento do diagnóstico.

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