SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Em ambulatório de cirurgia geral foram atendidas três pacientes. A primeira paciente 60 anos de idade, assintomática, realizou ultrassonografia de abdome total, como exame periódico, sendo identificada a presença de colelitíase com múltiplos cálculos de 1 e 2 mm, ducto cístico de 2 mm, colédoco de 6 mm. A segunda paciente, 47 anos de idade, sem comorbidades, com ultrassonografia de abdome total com calcificação vesicular abrangendo cerca de 60% das paredes da vesícula, confirmada por tomografia. Ausência de dilatação de vias biliares intra-hepáticas ducto cístico de 3 mm, colédoco de 6 mm. A terceira paciente, 50 anos de idade, colecistectomizada, com ultrassonografia de abdome total evidenciando colédoco de 10 mm com cálculo de 5 mm, ausência de dilatação de vias biliares intra-hepáticas. Diante do exposto, indique quem, dessas pacientes, apresenta maior risco de neoplasia associada.
Vesícula em porcelana (calcificação parietal) = Indicação de colecistectomia pelo alto risco de neoplasia.
A calcificação da parede da vesícula biliar, conhecida como vesícula em porcelana, está fortemente associada ao desenvolvimento de adenocarcinoma, exigindo intervenção cirúrgica mesmo em assintomáticos.
O câncer de vesícula biliar é a neoplasia mais comum do trato biliar, apresentando prognóstico reservado devido ao diagnóstico frequentemente tardio. A identificação de fatores de risco é crucial para a prevenção. A vesícula em porcelana, caracterizada pela calcificação hialina da parede, é um dos fatores de risco mais citados na literatura cirúrgica. Existem dois padrões: a calcificação contínua (mais associada à fibrose) e a calcificação granular/descontínua (que parece ter maior potencial maligno). Comparativamente, a colelitíase simples, mesmo com múltiplos cálculos, apresenta um risco oncológico marginal. A coledocolitíase, por sua vez, manifesta-se mais frequentemente através de quadros obstrutivos e infecciosos. Portanto, diante de um achado de vesícula em porcelana em exames de imagem (USG ou TC), a colecistectomia deve ser considerada, especialmente em pacientes com boa reserva funcional, devido à agressividade do adenocarcinoma de vesícula biliar.
A vesícula em porcelana é uma condição rara caracterizada pela calcificação das paredes da vesícula biliar, geralmente resultante de inflamação crônica (colecistite crônica). Ela é identificada em exames de imagem como uma casca calcificada. Sua importância reside na associação histórica com o adenocarcinoma de vesícula biliar. Embora estudos recentes sugiram que o risco possa ser menor do que se pensava anteriormente, a recomendação clássica de colecistectomia profilática permanece para evitar a evolução oncológica.
A colelitíase assintomática é extremamente comum e o risco de progressão para câncer é muito baixo (menos de 1%). A conduta padrão para cálculos assintomáticos é a observação, exceto em situações específicas como cálculos > 3cm, pólipos associados ou anomalias congênitas. Já a alteração estrutural da parede (calcificação) na vesícula em porcelana indica um processo inflamatório metaplásico muito mais propenso à transformação maligna.
A terceira paciente apresenta coledocolitíase residual ou recorrente (cálculo no colédoco após colecistectomia). O risco principal aqui não é a neoplasia primária, mas sim complicações agudas graves como colangite obstrutiva e pancreatite biliar. Embora a inflamação crônica das vias biliares possa predispor ao colangiocarcinoma a longo prazo, o risco imediato e a associação direta com neoplasia são significativamente menores do que na vesícula em porcelana.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo