Vertigem Periférica Aguda: Diagnóstico e Manejo

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 58 anos procura pronto-atendimento queixando-se de tontura rotatória intensa, com início súbito há quase 4 horas e contínua desde então. A paciente descreve a sensação como se o ambiente estivesse girando ao seu redor, acompanhada de náuseas e vômitos. Relata também sensação de zumbido no ouvido direito. Nega diminuição de audição. Nega histórico de traumas cranianos, ou histórico de acidente vascular encefálico (AVE). Ao exame físico, observa-se nistagmo horizontal com fase rápida para a esquerda, reflexo vestíbulo-ocular alterado e teste de desvio “Skew” negativo. Frequência cardíaca de 96 batimentos por minuto e pressão arterial 120x80 mmHg. Considerando o caso clínico apresentado, assinale a alternativa que descreve a conduta médica mais adequada para a paciente.

Alternativas

  1. A) Praticar Manobra de Epley para reposicionamento dos otólitos nos canais semicirculares.
  2. B) Realizar tomografia computadorizada de crânio, e uma vez descartada forma hemorrágica, trombolisar e iniciar demais condutas imediatas do protocolo de AVE isquêmico.
  3. C) Prescrever antivertiginosos sedativos labirínticos para alívio sintomático e recomendar exercícios de reabilitação vestibular.
  4. D) Proceder avaliação cardiológica para investigação de possível arritmia cardíaca como causa da tontura, associado a hidratação venosa para controle das náuseas e vômitos.

Pérola Clínica

Vertigem súbita, contínua, com nistagmo horizontal e Skew negativo → Vertigem periférica (Neurite/Labirintite). Tratar com antivertiginosos e reabilitação.

Resumo-Chave

A vertigem rotatória intensa e contínua, acompanhada de náuseas, vômitos e zumbido, com nistagmo horizontal e teste de Skew negativo, sugere fortemente uma causa periférica, como neurite vestibular ou labirintite. O tratamento inicial foca no alívio sintomático e na reabilitação.

Contexto Educacional

A vertigem é uma queixa comum no pronto-atendimento, e sua correta avaliação é crucial para diferenciar causas periféricas (benignas e autolimitadas) de causas centrais (potencialmente graves, como AVC). A vertigem periférica aguda, como a neurite vestibular ou labirintite, é caracterizada por um início súbito de vertigem rotatória intensa e contínua, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos e, no caso da labirintite, zumbido ou perda auditiva. O exame físico é fundamental para o diagnóstico diferencial. A presença de nistagmo horizontal unidirecional, reflexo vestíbulo-ocular alterado (ex: teste do impulso cefálico positivo) e, crucialmente, um teste de Skew negativo, aponta fortemente para uma causa periférica. O teste de Skew é um marcador importante para descartar lesões do tronco cerebral ou cerebelo, que causariam vertigem central. A ausência de outros sinais neurológicos focais também corrobora o diagnóstico de vertigem periférica. O tratamento da vertigem periférica aguda visa o alívio sintomático na fase inicial com antivertiginosos (anti-histamínicos, benzodiazepínicos) e antieméticos. Corticosteroides podem ser considerados para neurite vestibular. Após a fase aguda, a reabilitação vestibular é essencial para promover a compensação central e restaurar o equilíbrio, evitando a cronicidade dos sintomas. Residentes devem dominar a semiologia da vertigem para um manejo eficaz e seguro dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da vertigem periférica que a diferenciam da central?

A vertigem periférica geralmente é intensa, rotatória, de início súbito, associada a náuseas, vômitos e, por vezes, zumbido ou hipoacusia. O nistagmo é predominantemente horizontal ou rotatório, unidirecional e fatigável. O teste de Skew é negativo, e não há outros sinais neurológicos focais.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de neurite vestibular?

A conduta inicial envolve o alívio sintomático com antivertiginosos sedativos labirínticos (como dimenidrinato ou meclizina) e antieméticos para náuseas e vômitos. Após a fase aguda, a reabilitação vestibular é fundamental para acelerar a compensação central e reduzir a cronicidade dos sintomas.

Quando a Manobra de Epley é indicada e por que não neste caso?

A Manobra de Epley é indicada para a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), que se caracteriza por vertigem breve e episódica, desencadeada por mudanças específicas na posição da cabeça. Neste caso, a vertigem é contínua e de início súbito, o que não é típico de VPPB, tornando a Manobra de Epley inadequada.

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