Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Paciente 45 anos apresenta queixa de tontura. Refere ser recorrente há uns 3 meses, após ter ido em uma montanha russa. O reflexo vestíbulo-ocular encontra-se normal, há também nistagmo que muda de direção e desalinhamento vertical do olhar. Trata-se mais provavelmente de
Tontura + nistagmo que muda de direção + desalinhamento vertical do olhar + RVO normal → suspeitar de causa central (ex: Esclerose Múltipla).
A presença de nistagmo que muda de direção, desalinhamento vertical do olhar (skew deviation) e um reflexo vestíbulo-ocular (RVO) normal são achados clássicos de tontura de origem central. A esclerose múltipla, uma doença desmielinizante do sistema nervoso central, pode manifestar-se com esses sintomas vestibulares atípicos.
A tontura é uma queixa comum na prática clínica, e sua investigação exige uma abordagem sistemática para diferenciar causas periféricas (do labirinto) de centrais (do sistema nervoso central). A história clínica detalhada, incluindo o padrão da tontura e os fatores desencadeantes, é fundamental. No entanto, o exame físico neurológico e otoneurológico é crucial para identificar sinais de alarme que apontam para uma etiologia central. Achados como nistagmo que muda de direção com a posição do olhar, desalinhamento vertical do olhar (skew deviation) e um reflexo vestíbulo-ocular (RVO) normal (avaliado pelo teste de impulso cefálico, ou Head Impulse Test) são marcadores importantes de disfunção do sistema vestibular central. A ausência de alteração no RVO, em um paciente com vertigem aguda, é um forte indicativo de causa central, ao contrário da vertigem periférica, onde o RVO é tipicamente alterado. A esclerose múltipla (EM) é uma doença desmielinizante crônica do sistema nervoso central que pode manifestar-se com uma variedade de sintomas neurológicos, incluindo tontura e vertigem de origem central. A EM deve ser considerada no diagnóstico diferencial de pacientes com tontura atípica e sinais neurológicos focais, especialmente em adultos jovens. A investigação complementar com neuroimagem (ressonância magnética de crânio) é essencial para confirmar o diagnóstico e identificar as lesões desmielinizantes características.
Sinais de alerta para tontura central incluem nistagmo que muda de direção, nistagmo vertical puro, desalinhamento vertical do olhar (skew deviation) e ausência de alteração no reflexo vestíbulo-ocular (teste de impulso cefálico normal).
A vertigem periférica geralmente apresenta nistagmo unidirecional, fatigável, com RVO alterado (impulso cefálico anormal) e sintomas auditivos. A vertigem central tem nistagmo atípico, RVO normal e outros sinais neurológicos focais.
Sim, a esclerose múltipla pode causar tontura e vertigem de origem central devido a lesões desmielinizantes no tronco cerebral ou cerebelo, que afetam as vias vestibulares centrais.
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