Vertigem Central: Diagnóstico em Pacientes de Risco Vascular

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 60 anos, diabética, obesa, hipertensa e tabagista queixa-se de tontura. Os sintomas começaram subitamente há 12 horas e persistem apesar de uma boa noite de sono. A tontura é descrita como vertiginosa, constante e leve. Nega perda auditiva, zumbido, sensação de plenitude auricular e exantema. Não se observa sacada corretiva bilateralmente no teste de impulso da cabeça. A manobra de Dix-Hallpike exacerba a tontura. Não observamos nenhum nistagmo. Qual passo mais apropriado para o diagnóstico e tratamento desse caso?

Alternativas

  1. A) Ressonância nucelar magnética de cérebro.
  2. B) Teste calórico.
  3. C) Manobra de Epley.
  4. D) Iniciar betaistina.
  5. E) Iniciar prenisolona

Pérola Clínica

Tontura vertiginosa constante, teste de impulso da cabeça normal e ausência de nistagmo, especialmente em paciente com fatores de risco vascular, sugere vertigem central → RM de cérebro.

Resumo-Chave

Em pacientes com tontura vertiginosa, a presença de fatores de risco vascular, a ausência de sacada corretiva no teste de impulso da cabeça (indicando HINTS negativo para vertigem periférica) e a ausência de nistagmo espontâneo, mesmo com Dix-Hallpike positivo, levantam forte suspeita de vertigem central, exigindo investigação com neuroimagem, como a ressonância magnética de cérebro.

Contexto Educacional

A tontura é uma queixa comum, especialmente em idosos, e seu diagnóstico diferencial entre causas periféricas (do labirinto) e centrais (do sistema nervoso central) é crucial para o manejo adequado. A vertigem central, embora menos comum que a periférica, pode ser um sinal de condições graves como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) de tronco encefálico ou cerebelar, exigindo investigação e tratamento urgentes. Pacientes com múltiplos fatores de risco vascular (diabetes, obesidade, hipertensão, tabagismo) têm maior probabilidade de apresentar uma causa central para a tontura. A avaliação clínica é fundamental. A tontura vertiginosa constante, sem períodos de melhora, é um sinal de alerta para causas centrais. O teste de impulso da cabeça (Head Impulse Test) é uma ferramenta diagnóstica importante: um teste normal (sem sacada corretiva) em um paciente com vertigem aguda sugere fortemente uma etiologia central. A ausência de nistagmo espontâneo ou um nistagmo atípico também reforçam essa suspeita. Embora a manobra de Dix-Hallpike possa exacerbar a tontura em ambos os tipos de vertigem, a ausência de nistagmo ou um nistagmo não típico de VPPB, em conjunto com os outros achados, deve direcionar a investigação. Nesse cenário, a Ressonância Nuclear Magnética (RM) de cérebro é o exame de escolha para descartar lesões isquêmicas ou hemorrágicas no tronco encefálico ou cerebelo. A decisão de realizar neuroimagem precoce é vital para evitar atrasos no diagnóstico de um AVC, que pode ter consequências devastadoras. O tratamento, se for um AVC, será direcionado à causa subjacente e à reabilitação, e não a manobras ou medicamentos para vertigem periférica.

Perguntas Frequentes

Quais sinais clínicos sugerem vertigem de origem central em vez de periférica?

Sinais que sugerem vertigem central incluem tontura constante e grave, ausência de sacada corretiva no teste de impulso da cabeça (HINTS negativo), nistagmo vertical ou que muda de direção, e presença de outros déficits neurológicos. Fatores de risco vascular aumentam a suspeita.

Por que a Ressonância Magnética de cérebro é o passo mais apropriado neste caso?

A RM de cérebro é indicada devido à alta suspeita de vertigem central, possivelmente um AVC cerebelar ou de tronco encefálico. A paciente apresenta fatores de risco vascular, tontura constante, teste de impulso da cabeça normal e ausência de nistagmo, achados que, em conjunto, são mais consistentes com uma causa central do que periférica, apesar do Dix-Hallpike positivo.

Como interpretar o teste de impulso da cabeça e a manobra de Dix-Hallpike neste contexto?

O teste de impulso da cabeça normal (sem sacada corretiva) em um paciente com vertigem aguda sugere uma lesão central. A manobra de Dix-Hallpike positiva pode ocorrer em vertigem central, mas a ausência de nistagmo associado ou um nistagmo atípico, junto com o teste de impulso da cabeça normal, direciona a investigação para uma causa central, como um AVC.

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