Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma paciente de 65 anos idade, com antecedentes de hipertensão e diabetes, deu entrada no pronto-socorro, e seus dados eram os seguintes: paciente sonolenta e taquidispneica; MEG; escala de coma Glasgow 7; FC de 120 bpm; frequência respiratória (FR) de 40 ipm; PA igual a 100 mmHg × 55 mmHg; BRNF 2T sem sopros; MV+ bilateral sem RA. Exame abdominal prejudicado pelo neurológico. Foram colhidos exames, que revelaram o seguinte: pH = 7,32; pCO₂ = 22 mmHg; bicarbonato = 12; pO₂ = 100; saturação = 99%; creatinina = 1,5; ureia = 40 mg/dL (normal: até 40); ácido úrico = 10 (referência para mulheres: 2,4 – 5,7); HB = 10; leucócitos = 10.000; e plaquetas = 80.000.Considere que a paciente tenha evoluído com necessidade de ventilação mecânica, sendo colocada no modo ventilatório, conforme apresentado na figura a seguir.Nesse caso, a paciente está sendo ventilada no modo
Modo PCV = Disparo (Tempo/Paciente) + Limite (Pressão) + Ciclagem (Tempo).
No modo controlado a tempo e limitado a pressão (PCV), o ventilador inicia o ciclo em intervalos fixos, mantém uma pressão constante e encerra a inspiração após um tempo pré-determinado.
A ventilação mecânica é uma ferramenta de suporte vital crítica. O modo Pressão Controlada (PCV) é caracterizado por oferecer um fluxo desacelerante para manter uma pressão inspiratória constante. A variável de controle é a pressão, o limite é a pressão e a ciclagem é o tempo. Isso contrasta com a Ventilação por Volume Controlado (VCV), onde o volume é o limite e a ciclagem ocorre por volume. Em pacientes com Glasgow < 8, como o caso apresentado (GCS 7), a proteção de via aérea e o suporte ventilatório são mandatórios. A escolha do modo depende da experiência da equipe e do objetivo clínico, sendo o PCV frequentemente escolhido para garantir pressões de platô seguras e melhorar a oxigenação através de um perfil de fluxo mais fisiológico.
Um modo é estritamente controlado quando o ventilador inicia todos os ciclos respiratórios com base em uma frequência respiratória programada, sem permitir que o esforço do paciente dispare o ventilador. No entanto, na prática clínica, a maioria dos modos 'controlados' funciona como assistido-controlado, onde o paciente pode disparar ciclos extras. No enunciado, a descrição foca na mecânica pura do ciclo controlado.
O limite é a variável máxima que pode ser atingida e mantida durante a inspiração (neste caso, a pressão). A ciclagem é a variável que determina o fim da inspiração e o início da expiração. No modo PCV (Pressure Controlled Ventilation), a ciclagem ocorre por tempo: após o tempo inspiratório (Tins) programado, a válvula de exalação abre.
A ventilação limitada a pressão ajuda a proteger o pulmão contra barotrauma, pois garante que a pressão nas vias aéreas não ultrapasse o nível definido. É particularmente útil em doenças com complacência pulmonar reduzida ou heterogênea, permitindo uma melhor distribuição do gás, embora o volume corrente resultante possa variar conforme a mecânica pulmonar do paciente.
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