HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Paciente masculino, 62 anos, tabagista é trazido ao PS por serviço de ambulância particular. Familiar relata história de quatro dias de tosse produtiva, dispneia progressiva, sibilância e queda progressiva do estado geral, sem febre. É tabagista de 60 anos-maço e faz seguimento médico, usando beta-2- agonista de longa ação em uso contínuo e inalações conforme necessário. À entrada na sala de emergência, encontra-se sonolento, Glasgow: 10, FC:132bpm; PA: 110x70mmHg; FR:18ipm; SpO2:82% em máscara não-reinalante. Coletada gasometria arterial: pH:7,20; paO2:80mmHg; paCO2:80; bicarbonato:30mEq/L; base excess: +4mEq/L. Raio X abaixo: Em relação ao suporte ventilatório adequado para este paciente neste momento, assinale a alternativa com a melhor conduta.
DPOC exacerbada com acidose respiratória e rebaixamento leve de consciência → VNI é a primeira linha antes da IOT.
Pacientes com DPOC em exacerbação grave, apresentando insuficiência respiratória hipercápnica e acidose, mesmo com rebaixamento leve do nível de consciência (Glasgow 10), devem ser considerados para ventilação não invasiva (VNI) como primeira abordagem, pois pode evitar a intubação orotraqueal e suas complicações. A VNI melhora a ventilação alveolar e a troca gasosa, reduzindo o trabalho respiratório e a PaCO2.
A exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma causa comum de internação hospitalar e insuficiência respiratória. Caracteriza-se por piora dos sintomas respiratórios basais, como dispneia, tosse e produção de escarro, frequentemente desencadeada por infecções. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para o prognóstico desses pacientes. A fisiopatologia envolve inflamação das vias aéreas, broncoespasmo e aprisionamento aéreo, levando a um aumento do trabalho respiratório e, em casos graves, à insuficiência respiratória hipercápnica e acidose. O diagnóstico é clínico, complementado por gasometria arterial e radiografia de tórax. A suspeita deve surgir em tabagistas crônicos com história de dispneia progressiva e sibilância. O tratamento inicial inclui broncodilatadores, corticosteroides sistêmicos e, se houver sinais de infecção, antibióticos. O suporte ventilatório é fundamental, sendo a Ventilação Não Invasiva (VNI) a primeira escolha para pacientes com insuficiência respiratória hipercápnica e acidose, mesmo com rebaixamento leve do nível de consciência, pois pode evitar a intubação orotraqueal e suas complicações. A oxigenioterapia deve ser controlada para manter SpO2 entre 88-92%.
Os critérios incluem dispneia moderada a grave, acidose respiratória (pH < 7.35) com hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg), e frequência respiratória > 25 ipm. A VNI é contraindicada em casos de instabilidade hemodinâmica, parada cardiorrespiratória, Glasgow < 8, ou incapacidade de proteger vias aéreas.
A VNI reduz o trabalho respiratório, melhora a troca gasosa e evita as complicações associadas à intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva, como pneumonia associada à ventilação, lesão de vias aéreas e dificuldade de desmame, que são mais prevalentes em pacientes com DPOC.
O objetivo da SpO2 em pacientes com DPOC é manter entre 88% e 92%. Níveis mais altos de oxigênio podem suprimir o drive respiratório hipóxico e levar ao aumento da PaCO2, piorando a acidose respiratória.
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