FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015
Paciente deu entrada no Hospital com quadro de tosse produtiva, dispneia e febre com dois dias de evolução, evoluindo rapidamente para quadro de franca insuficiência respiratória, com SPO₂ de 80% na oximetria de pulso, além de FR de 42 i/min. Então é indicada sedação, intubação e suporte à vida com ventilação mecânica. Seu RX de tórax, bem como sua tomografia, sugere fortemente um quadro de SDRA/SARA, sua gasometria arterial também. Apesar de, ainda aguardar confirmação, a principal hipótese diagnóstica fica sendo infecção por vírus H1N1 (Gripe). São adequadas todas as condutas elencadas, EXCETO uma. Indique-a.
Na SDRA, ventilação protetora prioriza ↓ Pressão de Platô e baixo Volume Corrente, não Pressão de Pico.
Na Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), a ventilação mecânica protetora visa minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI). Isso é alcançado principalmente através do uso de baixo volume corrente e titulação de PEEP, com o objetivo de manter a pressão de platô abaixo de 30 cmH2O, e não a pressão de pico.
A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), ou SARA, é uma forma grave de insuficiência respiratória aguda caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico, levando à hipoxemia refratária. Pode ser desencadeada por diversas condições, como sepse, pneumonia grave (incluindo viral como H1N1), trauma e pancreatite. É uma condição de alta mortalidade, e o manejo adequado da ventilação mecânica é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia da SDRA envolve a ativação de uma resposta inflamatória sistêmica e local, resultando em dano alveolar difuso. Isso leva à perda da integridade da barreira alvéolo-capilar, acúmulo de líquido e proteínas nos alvéolos, inativação do surfactante e colapso alveolar. O diagnóstico é feito com base nos critérios de Berlim, que incluem início agudo, hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300), infiltrados bilaterais em radiografia/tomografia e ausência de insuficiência cardíaca como causa principal. O tratamento da SDRA é primariamente de suporte, com a ventilação mecânica sendo a principal intervenção. A estratégia de ventilação protetora é fundamental, utilizando baixo volume corrente (4-6 mL/kg de peso predito) para evitar volutrauma e barotrauma, e titulação da PEEP para otimizar o recrutamento alveolar e a oxigenação, mantendo a pressão de platô abaixo de 30 cmH2O. A FiO2 deve ser a menor possível para manter a saturação adequada, pois altas concentrações podem causar toxicidade por oxigênio. A prioridade é a pressão de platô, que reflete a pressão alveolar, e não a pressão de pico, que é mais influenciada pela resistência das vias aéreas.
O baixo volume corrente (geralmente 4-6 mL/kg de peso predito) reduz o estiramento excessivo dos alvéolos, minimizando o volutrauma e o barotrauma, que são componentes da lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI).
A PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) ajuda a recrutar alvéolos colapsados e a prevenir o colapso cíclico, melhorando a oxigenação e reduzindo o atelectrauma. É titulada para otimizar a complacência pulmonar e a oxigenação, mantendo a pressão de platô segura.
A pressão de pico é a pressão máxima nas vias aéreas durante a inspiração, influenciada pela resistência das vias aéreas. A pressão de platô é a pressão alveolar medida durante uma pausa inspiratória e reflete a pressão de distensão alveolar, sendo o principal parâmetro a ser monitorado para evitar lesão pulmonar na SDRA.
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