Ventilação Mecânica: Volume Corrente em Pneumonia e Sepse

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 55 anos de idade, altura 1,70 m, peso real 80 kg, peso predito 66 kg, sem comorbidades, apresentou pneumonia comunitária, evoluiu com sepse e insuficiência respiratória com necessidade de intubação traqueal e ventilação mecânica. Sobre a regulagem inicial do ventilador mecânico invasivo para o paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Modo ventilação pressão de suporte (PSV) com volume corrente de 264 mL.
  2. B) Modo ventilação pressão controlada (PCV) com volume corrente de 480 mL.
  3. C) Modo ventilação pressão controlada (PCV) com volume corrente de 640 mL.
  4. D) Modo ventilação volume controlado (VCV) com volume corrente de 396 mL.
  5. E) Modo ventilação volume controlado (VCV) com volume corrente de 528 mL.

Pérola Clínica

VM em SDRA/SARA: VCV com Volume Corrente 6 mL/kg Peso Predito. PEEP otimizada.

Resumo-Chave

Em pacientes com insuficiência respiratória aguda devido a condições como pneumonia e sepse, a ventilação mecânica protetora é crucial para evitar lesão pulmonar induzida pelo ventilador. O cálculo do volume corrente deve ser baseado no peso predito do paciente, utilizando geralmente 6 mL/kg, e o modo volume controlado (VCV) é uma escolha comum para garantir a entrega desse volume específico.

Contexto Educacional

A ventilação mecânica invasiva é uma intervenção vital em pacientes com insuficiência respiratória aguda, como aqueles com pneumonia grave e sepse. A correta regulagem inicial do ventilador é fundamental para garantir a oxigenação e ventilação adequadas, ao mesmo tempo em que se minimiza o risco de lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI). A estratégia de ventilação protetora, que se tornou padrão ouro, enfatiza a utilização de volumes correntes baixos e PEEP (pressão positiva expiratória final) otimizada. O cálculo do volume corrente (VC) deve ser sempre baseado no peso predito do paciente, e não no peso real, especialmente em indivíduos obesos. O peso predito é uma estimativa do peso ideal com base na altura e sexo, refletindo o tamanho pulmonar. Para o paciente do caso (homem, 1,70m, peso predito 66kg), um VC de 6 mL/kg de peso predito resulta em 396 mL (6 mL/kg * 66 kg). Essa abordagem visa reduzir o volutrauma e o barotrauma, que são mecanismos de VILI. O modo de ventilação volume controlado (VCV) é frequentemente escolhido inicialmente por garantir a entrega de um volume corrente fixo, o que é importante para a ventilação protetora. Outros parâmetros importantes incluem a PEEP, que deve ser ajustada para manter o pulmão aberto e otimizar a oxigenação, e a frequência respiratória, que deve ser ajustada para manter o pH dentro da normalidade. A monitorização contínua da pressão de platô (idealmente < 30 cmH2O) é essencial para avaliar a segurança da ventilação.

Perguntas Frequentes

Como calcular o peso predito para a ventilação mecânica?

O peso predito é calculado com base na altura e sexo do paciente. Para homens, a fórmula é 50 + 0,91 × (altura em cm - 152,4); para mulheres, é 45,5 + 0,91 × (altura em cm - 152,4). Este peso é usado para determinar o volume corrente ideal.

Qual o volume corrente recomendado para ventilação protetora em SDRA/SARA?

Para ventilação protetora em Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) ou lesão pulmonar aguda (SARA), o volume corrente recomendado é de 4 a 8 mL/kg do peso predito, sendo 6 mL/kg o valor mais comumente utilizado como alvo inicial.

Por que a ventilação protetora é importante em pacientes com pneumonia e sepse?

A ventilação protetora é crucial para minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI), que pode agravar a inflamação e a disfunção pulmonar. Ela reduz o barotrauma e volutrauma, melhorando os desfechos em pacientes com pulmões comprometidos por pneumonia e sepse.

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