SDRA: Cálculo do Volume Corrente na Ventilação Mecânica

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 61a, foi trazido ao Pronto Atendimento por falta de ar. Referia sete dias de tosse produtiva amarelada, associada a febre e dor torácica. A dispneia piorou nos últimos dois dias, com dificuldade para completar frases. Exame físico: T=38,2C; PA=96x64mmHg; FC=122bpm; FR=32irpm; oximetria de pulso=78% em ar ambiente e 89% com máscara não reinalante com 15L O₂/min; peso=110Kg (peso predito=80Kg); ausculta cardíaca normal; ausculta pulmonar com estertores em terço médio à direita. Ultrassonografia pulmonar: presença de linhas B em bases e campos médios bilateralmente. Após pré-oxigenação por cinco minutos, foi realizada intubação orotraqueal. AO CONFIGURAR O RESPIRADOR, O VOLUME CORRENTE INICIAL MÁXIMO RECOMENDADO PARA ESTE PACIENTE É: 

Alternativas

Pérola Clínica

Na SDRA, o volume corrente máximo recomendado é 8 mL/kg do peso predito para ventilação protetora.

Resumo-Chave

Em pacientes com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), a ventilação mecânica protetora é essencial para evitar lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI). O volume corrente deve ser calculado com base no peso predito, e não no peso real, sendo o limite superior recomendado de 8 mL/kg.

Contexto Educacional

A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma forma grave de insuficiência respiratória caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade vascular e edema pulmonar não cardiogênico, levando a hipoxemia refratária. É uma condição crítica comum em unidades de terapia intensiva, com alta morbimortalidade, e seu manejo adequado, especialmente a ventilação mecânica, é um tema central para residentes e intensivistas. A fisiopatologia da SDRA envolve uma resposta inflamatória sistêmica ou local que danifica a barreira alvéolo-capilar, resultando em acúmulo de líquido e proteínas nos alvéolos, colapso alveolar e perda de volume pulmonar aerado. O diagnóstico é clínico e radiológico, com hipoxemia grave e infiltrados pulmonares bilaterais. A ventilação mecânica é o pilar do suporte, mas se não for protetora, pode agravar a lesão pulmonar (VILI - Ventilator-Induced Lung Injury). A ventilação mecânica protetora na SDRA baseia-se na utilização de volumes correntes baixos (4-8 mL/kg do peso predito), pressão de platô limitada (<30 cmH2O) e PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) otimizada. O cálculo do volume corrente deve sempre ser feito com base no peso predito (ideal body weight) e não no peso real, para evitar a superdistensão pulmonar. Essa estratégia demonstrou reduzir a mortalidade e é um conceito fundamental para a prática segura e eficaz na UTI.

Perguntas Frequentes

Por que o volume corrente na SDRA deve ser baseado no peso predito e não no peso real?

O volume corrente deve ser baseado no peso predito porque o tamanho dos pulmões é mais correlacionado com a altura do paciente do que com seu peso corporal total. Usar o peso real, especialmente em pacientes obesos, resultaria em volumes correntes excessivamente altos para o parênquima pulmonar funcional, aumentando o risco de volutrauma e barotrauma.

Qual a faixa ideal de volume corrente para ventilação protetora na SDRA?

A faixa ideal de volume corrente para ventilação protetora na SDRA é de 4 a 8 mL/kg do peso predito. Essa estratégia visa minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI) e melhorar os desfechos clínicos, mantendo a pressão de platô abaixo de 30 cmH2O.

Quais são os principais objetivos da ventilação mecânica protetora na SDRA?

Os principais objetivos da ventilação mecânica protetora na SDRA são reduzir a mortalidade, minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI) através de volumes correntes baixos e pressões de platô limitadas, e otimizar a oxigenação e a ventilação com o uso de PEEP adequada e manobras de recrutamento, quando indicadas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo