PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Homem de 72 anos queixa-se de obstrução nasal, coriza, tosse oligoprodutiva com escarro translúcido e febre (38.4°C) há três dias. É portador de câncer gástrico e está em realização de quimioterapia. Não apresenta alterações ao exame físico. EXAMES DE LABORATÓRIO: leucócitos 3.400/mm²; neutrófilos 1.750/mm³; plaquetas 157.000/mm³; proteína C reativa 18mg/L; teste rápido em swab nasal para SARS-Cov-2 e influenza A e B negativos. Recebeu a prescrição de dipirona e lavagem nasal com soro fisiológico.\n\nO paciente apresentou melhora da febre e do estado geral. Entretanto, no 6º dia após o início dos sintomas respiratórios, apresentou dispneia com piora progressiva e procurou o Pronto Socorro. Ao exame físico, PA 130/84 mmHg, FC 116 bpm, FR 32 ipm, SpO2 78% (em ar ambiente). Apresenta-se confuso, taquipneico e com franco esforço respiratório. Foi intubado, sedado e colocado em ventilação mecânica, considerando-se o peso corporal previsto de 60kg. Ajustaramse os seguintes parâmetros ventilatórios iniciais: Vc 360 mL, FR 14 ipm, FiO2 100%, PEEP 18. Após 0,5s de pausa inspiratória, a pressão calculada foi de 37 mmHg. Gasometria arterial: pH 7,28; p02 188 mmHg; pCO2 53 mmHg; bicarbonato 23 mEq/L; SpO2 99%. Assinale a alternativa que apresenta um ajuste ADEQUADO da ventilação mecânica de modo a atingir os objetivos de uma ventilação protetora para esse paciente:
SDRA → Vc 4-6mL/kg + Pplatô < 30 + Driving Pressure < 15.
A ventilação protetora na SDRA foca em limitar o volume corrente (4-6 mL/kg) e as pressões alveolares (Platô < 30 e Driving Pressure < 15) para evitar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI).
A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é caracterizada por edema pulmonar não cardiogênico e hipoxemia grave. A fisiopatologia envolve o conceito de 'baby lung', onde apenas uma pequena fração do pulmão permanece aerada e funcional. Por isso, volumes correntes convencionais tornam-se excessivos para essa área reduzida, causando lesão.\n\nNo caso clínico apresentado, o paciente tinha uma Pplatô de 37 e PEEP de 18, resultando em uma Driving Pressure de 19 cmH2O, ambos acima das metas de segurança. A alternativa A propõe a redução do Vc para 5 mL/kg (300 mL) e redução da PEEP, o que mecanicamente reduzirá a Pplatô e a DP, enquanto aumenta a FR para compensar a ventilação minuto, alinhando-se perfeitamente às diretrizes de proteção pulmonar.
A ventilação protetora é definida pelo uso de baixo volume corrente (4 a 6 mL/kg de peso predito), manutenção da pressão de platô abaixo de 30 cmH2O e da pressão de distensão (driving pressure) abaixo de 15 cmH2O. Essas medidas visam reduzir o estresse mecânico sobre os alvéolos, prevenindo o volutrauma e o barotrauma, que são componentes da lesão induzida pelo ventilador (VILI).
A Driving Pressure (DP) é calculada pela diferença entre a Pressão de Platô e a PEEP (DP = Pplatô - PEEP). Ela reflete a deformação cíclica imposta ao parênquima pulmonar funcional. Estudos demonstram que manter a DP < 15 cmH2O é o parâmetro ventilatório mais fortemente associado à redução da mortalidade em pacientes com SDRA, superando o isolamento do volume corrente ou da PEEP.
Ao reduzir o volume corrente para fins de proteção pulmonar, o volume minuto (Vc x FR) tende a diminuir, o que pode levar à hipercapnia (aumento de PaCO2) e acidose respiratória. Para compensar essa queda e manter a eliminação de CO2 em níveis aceitáveis (hipercapnia permissiva), deve-se aumentar a frequência respiratória, geralmente até um limite de 35 ipm, desde que não gere auto-PEEP.
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