Ventilação Protetora na SDRA: Parâmetros e Condutas 2026

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) moderada está em ventilação mecânica. Qual estratégia ventilatória é indicada?

Alternativas

  1. A) Volume corrente de 10 mL/kg de peso atual para garantir ventilação adequada.
  2. B) FiO₂ fixa em 100% para evitar dessaturação.
  3. C) Volume corrente de 6 mL/kg de peso predito, platô ≤ 30 cmH₂O, PEEP ajustada.
  4. D) PEEP mínima possível para reduzir risco de barotrauma.

Pérola Clínica

SDRA → Ventilação Protetora: VC 6mL/kg (peso predito) + Platô ≤ 30 cmH2O + PEEP ajustada.

Resumo-Chave

A estratégia de ventilação protetora na SDRA visa minimizar o volutrauma e o barotrauma, utilizando volumes baixos baseados na altura do paciente e limitando as pressões alveolares.

Contexto Educacional

A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma forma grave de insuficiência respiratória hipoxêmica caracterizada por infiltrados bilaterais na radiografia de tórax e edema pulmonar não cardiogênico. O manejo ventilatório evoluiu drasticamente após o estudo ARDSNet, que demonstrou redução de mortalidade com o uso de volumes correntes baixos (6 mL/kg de peso predito). A ventilação protetora baseia-se em três pilares: limitação do volume corrente para evitar volutrauma, limitação da pressão de platô para evitar barotrauma e aplicação de PEEP suficiente para evitar o fechamento e abertura cíclica dos alvéolos (atelectrauma). Em casos de SDRA moderada a grave (Relação PaO2/FiO2 < 200), estratégias adicionais como a posição prona e o bloqueio neuromuscular podem ser indicadas.

Perguntas Frequentes

Por que usar o peso predito no cálculo do volume corrente?

O volume pulmonar é determinado principalmente pela altura e pelo sexo, não sofrendo alterações significativas com o ganho de peso adiposo. Na SDRA, o conceito de 'baby lung' indica que apenas uma pequena parte do parênquima está disponível para ventilação. Utilizar o peso real em pacientes obesos resultaria em volumes correntes excessivos para o tecido pulmonar funcional, causando volutrauma e biotrauma.

Qual a importância de manter a pressão de platô abaixo de 30 cmH2O?

A pressão de platô reflete a pressão alveolar ao final da inspiração (em condições de fluxo zero). Mantê-la ≤ 30 cmH2O é fundamental para evitar a hiperdistensão dos alvéolos remanescentes, reduzindo o risco de barotrauma e a liberação de mediadores inflamatórios sistêmicos. Além do platô, a monitorização da 'driving pressure' (Platô - PEEP) abaixo de 15 cmH2O tem se mostrado um preditor de melhor prognóstico.

Como deve ser o ajuste da PEEP na SDRA moderada?

Na SDRA moderada a grave, a PEEP deve ser ajustada para garantir o recrutamento alveolar e evitar o colapso cíclico (atelectrauma), sem comprometer a hemodinâmica. Estratégias comuns incluem o uso da tabela PEEP/FiO2 do protocolo ARDSNet ou a titulação pela melhor complacência estática do sistema respiratório. O objetivo é manter a oxigenação adequada (PaO2 55-80 mmHg) com a menor FiO2 possível.

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