Ventilação Mecânica em CIV e Edema Pulmonar: Otimizando o PEEP

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Menino de oito meses, com 6 kg, portador de Comunicação Interventricular (CIV), utilizando digital, furosemida e espironolactona, é admitido com febre e intensa taquidispneia. Radiografia de tórax compatível com edema pulmonar e extensa pneumonia de base. É imediatamente colocado em ventilação mecânica. Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Utilizar um PEEP entre 5 e 10 cmH2O, visando melhorar a oxigenação, recrutar alvéolos e redistribuir o líquido intersticial e alveolar.
  2. B) Utilizar uma FR suprafisiológica, visando induzir a alcalose e vasoconstricção pulmonar, reduzindo, assim, o edema pulmonar.
  3. C) Este paciente tem indicação imediata de ECMO (Membrana de Oxigenação Extracorpórea ) pela falência cardiopulmonar.
  4. D) Contraindicar o uso de PEEP por aumentar a sobrecarga cardíaca e piorar o quadro.
  5. E) Esse paciente deve ser mantido com relaxantes musculares em infusão contínua nas primeiras 48 horas, visando diminuir o trabalho miocárdico.

Pérola Clínica

CIV + Edema pulmonar + VM → PEEP 5-10 cmH2O para oxigenação e recrutamento alveolar.

Resumo-Chave

Em lactente com CIV, edema pulmonar e pneumonia em ventilação mecânica, o PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) é fundamental. Um PEEP entre 5 e 10 cmH2O melhora a oxigenação, recruta alvéolos colapsados e ajuda a redistribuir o líquido do edema pulmonar, otimizando a função pulmonar sem sobrecarregar excessivamente o coração.

Contexto Educacional

A ventilação mecânica em pacientes pediátricos com cardiopatias congênitas, como a Comunicação Interventricular (CIV), e complicações como edema pulmonar e pneumonia, é um desafio complexo que exige um manejo cuidadoso. O objetivo principal é otimizar a oxigenação e a ventilação, minimizando o trabalho respiratório e os efeitos adversos da ventilação mecânica sobre o sistema cardiovascular. A Pressão Expiratória Final Positiva (PEEP) é uma estratégia ventilatória crucial nesse contexto. Ao manter uma pressão positiva nas vias aéreas ao final da expiração, o PEEP previne o colapso alveolar, recruta alvéolos atelectasiados, melhora a complacência pulmonar e a oxigenação. Em casos de edema pulmonar, o PEEP também contribui para a redistribuição do líquido intersticial e alveolar, facilitando a troca gasosa. Um PEEP entre 5 e 10 cmH2O é frequentemente utilizado para alcançar esses benefícios sem comprometer excessivamente o retorno venoso ou o débito cardíaco. É fundamental monitorar de perto a hemodinâmica do paciente, pois PEEP muito elevado pode ter efeitos deletérios, como redução do débito cardíaco e aumento da resistência vascular pulmonar. A escolha da estratégia ventilatória deve ser individualizada, considerando a fisiologia da cardiopatia, a gravidade da insuficiência respiratória e a resposta do paciente. A combinação de PEEP adequado com outros parâmetros ventilatórios e o tratamento da causa subjacente (pneumonia, insuficiência cardíaca) são essenciais para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do PEEP na ventilação mecânica de um paciente com edema pulmonar?

O PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) ajuda a manter os alvéolos abertos, melhora a oxigenação, recruta unidades alveolares colapsadas e auxilia na redistribuição do líquido do edema pulmonar, reduzindo a congestão.

Por que um PEEP entre 5 e 10 cmH2O é recomendado neste cenário?

Este nível de PEEP é geralmente considerado terapêutico para melhorar a oxigenação e o recrutamento alveolar em pacientes com edema pulmonar e pneumonia, sem causar efeitos hemodinâmicos adversos significativos em pacientes com CIV, desde que monitorado.

Quais são os riscos de um PEEP muito elevado em pacientes pediátricos com cardiopatia?

PEEP muito elevado pode aumentar a pressão intratorácica, diminuir o retorno venoso, reduzir o débito cardíaco e, em alguns casos, piorar a sobrecarga do ventrículo direito, especialmente em pacientes com disfunção cardíaca preexistente.

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