Ventilação Mecânica Pediátrica: Laringite e Parâmetros Iniciais

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Você decide pela intubação traqueal de um paciente de 1 ano, que está em insuficiência respiratória devido laringite. Após intubação, há melhora imediata do desconforto respiratório. Qual é a configuração inicial adequada do ventilador mecânico em modo SIMV (ventilação mandatória intermitente sincronizada), controlado a pressão de suporte?

Alternativas

  1. A) Fração inspirada de oxigênio 21%, pressão inspiratória 25 cmH₂O (ajustada para volume corrente exalado de 12ml/kg), frquência respiratória 15/min, tempo inspiratório 0,8 s (relação I/E 1:4), PEEP 10 cmH₂O, pressão de suporte 15 cmH₂O acima da PEEP, sensibilidade -2 cmH₂O.
  2. B) Fração inspirada de oxigênio 100%, pressão inspiratória 15 cmH₂O (ajustada para volume corrente exalado de 8 ml/kg), frequência respiratória 25/min, tempo inspiratório 0,6 s (relação I/E 1:3), pressão positiva no final da inspiração (PEEP) 5 cmH₂O, pressão de suporte 10 cmH₂O acima da PEEp, sensibilidade -1 cmH₂O.
  3. C) Fração inspirada de oxigênio 100%, pressão inspiratória 15 cmH₂O (ajustada para volume corrente exalado de 4 ml/kg), frequência respiratória 40/min, tempo inspiratório 0,6 s (relação I/E 1:2), PEEP 5 cmH₂O, pressão de suporte 10 cmH₂O acima da PEEP, sensibilidade -2 cmH₂O.
  4. D) Fração inspirada de oxigênio 21%, pressão inspiratória 25 cmH₂O (ajustada para volume corrente exalado de 12ml/kg), frequência respiratória 20/min, tempo inspiratório 1 s (relação I/E 1:2), PEEP 5 cmH₂O, pressão de suporte 20 cmH₂O acima da PEEP, sensibilidade -1 cmH₂O.

Pérola Clínica

Laringite grave em <1 ano → VM SIMV: FiO2 100%, FR 25, PEEP 5, VC 8ml/kg, PS 10 acima PEEP.

Resumo-Chave

Em pacientes pediátricos com insuficiência respiratória grave por laringite que necessitam de intubação, a ventilação mecânica inicial deve visar a otimização da oxigenação e ventilação com parâmetros protetores. A FiO2 de 100% é inicial para garantir saturação, e o volume corrente de 8 ml/kg é um valor seguro para evitar barotrauma, enquanto a PEEP de 5 cmH2O ajuda a manter os alvéolos abertos.

Contexto Educacional

A laringite, ou crupe, é uma causa comum de obstrução das vias aéreas superiores em crianças, geralmente de etiologia viral. Em casos graves, pode evoluir para insuficiência respiratória, necessitando de intubação traqueal e ventilação mecânica. A compreensão dos parâmetros ventilatórios adequados é crucial para o manejo seguro e eficaz desses pacientes. A fisiopatologia envolve inflamação e edema da laringe, traqueia e brônquios principais, levando à redução do lúmen das vias aéreas. O diagnóstico é clínico, baseado em estridor inspiratório, tosse ladrante e desconforto respiratório. A decisão de intubar é tomada quando há sinais de falha respiratória iminente ou exaustão, apesar do tratamento clínico otimizado. O tratamento da laringite grave inclui dexametasona e epinefrina nebulizada. Se a intubação for necessária, a ventilação mecânica deve ser iniciada com parâmetros protetores, como FiO2 de 100% (titulada posteriormente), volume corrente de 6-8 ml/kg, PEEP de 5 cmH2O e frequência respiratória ajustada à idade, visando a otimização da oxigenação e ventilação, minimizando o risco de lesão pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de laringite grave que indicam intubação em crianças?

Sinais de laringite grave incluem estridor em repouso, desconforto respiratório significativo, taquipneia, tiragem intercostal e subcostal, cianose e alteração do nível de consciência, indicando falha respiratória iminente.

Por que a FiO2 inicial é 100% na ventilação mecânica de emergência?

A FiO2 de 100% é utilizada inicialmente para garantir a máxima oxigenação e corrigir rapidamente a hipoxemia, especialmente em situações de emergência como insuficiência respiratória aguda, sendo posteriormente titulada para o menor valor possível para manter a saturação alvo.

Qual a importância do volume corrente e da PEEP na ventilação pediátrica?

O volume corrente (geralmente 6-8 ml/kg) é crucial para evitar barotrauma e volutrauma, enquanto a PEEP (pressão positiva expiratória final) ajuda a prevenir o colapso alveolar, melhorando a oxigenação e reduzindo o trabalho respiratório.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo