PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um homem de 65 anos, com histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), é admitido na sala de emergência com quadro de dispneia progressiva nas últimas 24 horas. Ele apresenta tosse com expectoração purulenta, uso de musculatura acessória, e frequência respiratória de 32 rpm. A gasometria arterial mostra pH de 7,32, PaCO2 de 58 mmHg, e PaO2 de 55 mmHg em ar ambiente. Ao exame físico, o paciente está consciente, orientado, e responde apropriadamente às perguntas. De acordo com a Diretriz Brasileira de Ventilação Mecânica, qual é a indicação mais apropriada para o uso de ventilação mecânica não invasiva (VNI) neste paciente?
DPOC exacerbada + Acidose (pH < 7,35) + PaCO2 > 45 mmHg → Indicação padrão-ouro de VNI.
A VNI reduz a necessidade de intubação e a mortalidade na DPOC exacerbada ao diminuir o trabalho respiratório e melhorar a troca gasosa na acidose hipercápnica.
A exacerbação da DPOC é uma das principais causas de admissão em emergências. A fisiopatologia envolve o aumento da resistência das vias aéreas e a hiperinsuflação dinâmica, levando à fadiga muscular e falência ventilatória hipercápnica. A Ventilação Não Invasiva (VNI) atua fornecendo pressão positiva, o que reduz o trabalho inspiratório e contrabalança a PEEP intrínseca (auto-PEEP). As evidências são robustas ao demonstrar que a VNI é superior ao tratamento medicamentoso isolado em pacientes com acidose respiratória moderada a grave. O manejo correto exige monitorização contínua e ajuste fino dos parâmetros (IPAP e EPAP) para garantir o volume corrente adequado e o conforto do paciente, evitando a progressão para ventilação invasiva e suas complicações associadas, como a pneumonia associada à ventilação.
De acordo com as diretrizes nacionais e internacionais, a VNI deve ser iniciada em pacientes com DPOC exacerbada que apresentam acidose respiratória, definida por um pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg, que não respondeu imediatamente ao tratamento medicamentoso inicial. Este suporte ventilatório ajuda a 'descansar' a musculatura respiratória fadigada e melhora a ventilação alveolar, reduzindo os níveis de CO2.
As principais contraindicações incluem a necessidade de intubação imediata (parada cardiorrespiratória), instabilidade hemodinâmica grave (choque não controlado), arritmias ventriculares instáveis, incapacidade de proteger vias aéreas (risco de aspiração), rebaixamento do nível de consciência (exceto se causado pela própria hipercapnia em ambiente monitorado), cirurgia facial ou esofágica recente e obstrução de vias aéreas superiores.
O sucesso da VNI é avaliado pela melhora clínica (redução da frequência respiratória, diminuição do uso de musculatura acessória e melhora do conforto) e pela melhora gasométrica (aumento do pH e redução da PaCO2) geralmente observada dentro de 1 a 2 horas após o início do procedimento. Se não houver melhora ou se o paciente deteriorar, a intubação orotraqueal não deve ser retardada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo