HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Um menino de 5 anos de idade apresenta crise asmática, já tendo realizado 3 inalações com beta-agonista, metilprednisolona 2mg/kg endovenoso, sulfato de magnésio 50mg/kg endovenoso. Encontra-se com saturação de O2 = 87% com máscara de oxigênio 8L/min e em franca insuficiência respiratória. Iniciará ventilação pulmonar mecânica. Nesse caso, os parâmetros da ventilação pulmonar devem ser:
VMI em asma grave = ↓ FR e ↑ Tempo Exp para evitar hiperinsuflação (auto-PEEP) e barotrauma, tolerando hipercapnia.
Na ventilação mecânica do asmático grave, o objetivo é combater a hiperinsuflação dinâmica (auto-PEEP). Para isso, utiliza-se uma frequência respiratória baixa para permitir um tempo expiratório prolongado, além de limitar a pressão de platô para prevenir barotrauma.
O estado de mal asmático é a forma mais grave de exacerbação da asma, caracterizada por insuficiência respiratória aguda refratária à terapia inicial. A ventilação mecânica invasiva (VMI) é uma medida de resgate para pacientes com hipoxemia grave, hipercapnia progressiva, rebaixamento do nível de consciência ou exaustão da musculatura respiratória. A fisiopatologia central é a obstrução difusa do fluxo aéreo, que é muito mais acentuada na expiração. Isso leva ao aprisionamento de ar (air trapping), resultando em hiperinsuflação pulmonar dinâmica e desenvolvimento de pressão positiva ao final da expiração intrínseca (auto-PEEP). O auto-PEEP aumenta o trabalho respiratório, causa instabilidade hemodinâmica por reduzir o retorno venoso e eleva o risco de barotrauma. O manejo ventilatório visa primariamente permitir o esvaziamento pulmonar adequado. A estratégia consiste em utilizar uma frequência respiratória (FR) baixa, um baixo volume corrente (6-8 mL/kg) e um baixo fluxo inspiratório para prolongar o tempo expiratório (relação I:E de 1:3 ou 1:4). A pressão de platô deve ser mantida abaixo de 30-35 cmH2O. A hipercapnia permissiva é frequentemente necessária, tolerando-se a acidose respiratória para evitar os danos de uma ventilação agressiva.
Os principais riscos são o barotrauma (pneumotórax) e o volutrauma, causados pela hiperinsuflação dinâmica (auto-PEEP). Também há risco de instabilidade hemodinâmica (hipotensão) devido ao aumento da pressão intratorácica, que reduz o retorno venoso.
Uma frequência respiratória baixa é crucial para permitir um tempo expiratório prolongado. Isso facilita o esvaziamento dos alvéolos, combate o aprisionamento aéreo (air trapping) e minimiza o desenvolvimento de auto-PEEP, que é o principal problema fisiopatológico.
Hipercapnia permissiva é a estratégia de tolerar níveis elevados de CO2 no sangue (PaCO2 > 45 mmHg) para evitar ventilação agressiva. Tentar normalizar o CO2 com FR alta pioraria o auto-PEEP, portanto, aceita-se a acidose respiratória (geralmente com pH > 7.20) em troca de uma ventilação mais segura.
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