PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Homem de 35 anos, 70 quilos de peso ideal, previamente asmático, admitido no pronto socorro por quadro de dispneia intensa. Ao exame físico, apresenta PA: 120/85mmHg, FC 123bpm, FR 36irpm, cianótico e com tiragem intercostal. Ausculta pulmonar com sibilos difusos. Após utilização de beta 2 agonista, paciente apresentou piora do quadro, com Saturação de oxigênio menor que 85%, sendo optado por intubação e ventilação mecânica invasiva. Qual a melhor alternativa que apresenta parâmetros adequados no ajuste inicial da ventilação mecânica deste paciente?
Asma grave em VM → VC baixo, FR baixa, fluxo inspiratório alto para evitar auto-PEEP e barotrauma.
Em pacientes asmáticos graves intubados, a ventilação mecânica deve ser protetora, visando minimizar o aprisionamento aéreo (auto-PEEP) e o risco de barotrauma. Isso é alcançado com volumes correntes baixos, frequências respiratórias baixas e tempos inspiratórios curtos (fluxo inspiratório alto), permitindo um tempo expiratório prolongado.
A asma grave é uma emergência médica que pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de ventilação mecânica invasiva. Compreender os princípios da ventilação protetora é crucial para evitar complicações e melhorar o prognóstico. A ventilação mecânica em asmáticos difere de outras condições pulmonares devido à fisiopatologia de obstrução das vias aéreas e aprisionamento aéreo. A fisiopatologia da asma grave envolve broncoespasmo, inflamação e hipersecreção de muco, resultando em aumento da resistência das vias aéreas e aprisionamento aéreo. O diagnóstico de asma grave é clínico, com sinais de esforço respiratório intenso, cianose e hipoxemia refratária. A intubação é indicada quando há falha do tratamento inicial e piora progressiva. O tratamento ventilatório inicial deve focar em volumes correntes baixos (4-6 mL/kg de peso ideal), frequências respiratórias baixas (8-12 irpm) para prolongar o tempo expiratório, e um fluxo inspiratório alto para encurtar o tempo inspiratório, otimizando a relação I:E (1:3 ou 1:4). A PEEP extrínseca deve ser usada com cautela, geralmente baixa (0-5 cmH2O), para não agravar a auto-PEEP. O objetivo é permitir a exalação completa e evitar o barotrauma.
Sinais incluem dificuldade em disparar o ventilador, assincronia paciente-ventilador, e aumento da pressão intratorácica, que pode ser detectado pela curva de fluxo expiratório que não retorna à linha de base antes do próximo ciclo.
O fluxo inspiratório alto encurta o tempo inspiratório, permitindo um tempo expiratório mais longo. Isso é crucial para pacientes asmáticos, que têm obstrução ao fluxo aéreo expiratório, ajudando a reduzir o aprisionamento aéreo e a auto-PEEP.
Os principais riscos são barotrauma (pneumotórax, pneumomediastino) devido a altas pressões intratorácicas e auto-PEEP, além de instabilidade hemodinâmica causada pelo aumento da pressão intratorácica.
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