Ventilação Mecânica em DPOC/Asma: Cuidados Essenciais

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021

Enunciado

Em adultos, portadores de pneumopatia obstrutiva (asma e / ou DPOC) quando em franca insuficiência respiratória deverão ter os seguintes cuidados iniciais no seu tratamento respiratório, exceto:

Alternativas

  1. A) Intubar de preferência com tubo ≥ 8 mm de diâmetro.
  2. B) Ventilar em modalidade a pressão ou volume controlado (PCV ouVCV).
  3. C) Menor fração inspiratória de oxigênio para manter SpO2 ≥ 92 % ePaO2 ≥ 65 mmHg.
  4. D) Frequência respiratória inicial de 8 a 12 por minuto.
  5. E) Manter uma relação inspiração x expiração de 1 para 2.

Pérola Clínica

Em pneumopatia obstrutiva grave, a relação I:E deve ser prolongada (>1:2) para evitar auto-PEEP e hiperinsuflação.

Resumo-Chave

Em pacientes com pneumopatia obstrutiva (asma ou DPOC) em ventilação mecânica, é fundamental permitir um tempo expiratório prolongado para evitar o aprisionamento de ar (auto-PEEP e hiperinsuflação dinâmica). Uma relação I:E de 1:2 é o mínimo, mas frequentemente relações de 1:3, 1:4 ou até mais longas são necessárias para garantir a expiração completa e minimizar complicações.

Contexto Educacional

Pacientes com pneumopatia obstrutiva, como asma grave ou DPOC exacerbado, que evoluem para insuficiência respiratória, frequentemente necessitam de ventilação mecânica. O manejo desses pacientes é desafiador devido à fisiopatologia da obstrução das vias aéreas, que predispõe ao aprisionamento de ar e à hiperinsuflação dinâmica. Ao intubar e ventilar esses pacientes, é fundamental adotar uma estratégia protetora. Isso inclui o uso de tubos endotraqueais de maior diâmetro (≥ 8 mm) para reduzir a resistência ao fluxo aéreo, ventilação em modalidades controladas por pressão ou volume, e a manutenção de uma fração inspiratória de oxigênio (FiO2) mínima para atingir SpO2 ≥ 92% e PaO2 ≥ 65 mmHg, evitando a toxicidade do oxigênio. A frequência respiratória inicial deve ser baixa (8 a 12 por minuto) para maximizar o tempo expiratório. O ponto crítico é a relação inspiração-expiração (I:E). Em pacientes obstrutivos, o tempo expiratório deve ser prolongado para permitir a saída completa do ar e evitar o acúmulo de ar nos pulmões, que leva à auto-PEEP e hiperinsuflação dinâmica. Uma relação I:E de 1:2 é o mínimo para um paciente normal, mas em obstrutivos, relações de 1:3, 1:4 ou até mais longas são frequentemente necessárias. Manter uma relação I:E de 1:2 seria um erro, pois não permitiria tempo suficiente para a expiração, exacerbando a hiperinsuflação e seus riscos.

Perguntas Frequentes

Por que a relação I:E é crucial em pacientes com pneumopatia obstrutiva em ventilação mecânica?

Em pacientes com pneumopatia obstrutiva, a relação I:E é crucial porque um tempo expiratório prolongado é necessário para permitir a saída completa do ar dos pulmões. Isso evita o aprisionamento de ar, a hiperinsuflação dinâmica e o desenvolvimento de auto-PEEP, que podem levar a barotrauma e instabilidade hemodinâmica.

Quais são os riscos de uma relação I:E inadequada em pacientes obstrutivos?

Uma relação I:E inadequada (tempo expiratório muito curto) em pacientes obstrutivos leva ao aprisionamento de ar, aumento da pressão intratorácica, auto-PEEP, hiperinsuflação dinâmica, barotrauma (pneumotórax), volutrauma e comprometimento hemodinâmico devido à redução do retorno venoso.

Quais são os objetivos da ventilação mecânica em pacientes com asma ou DPOC grave?

Os objetivos incluem garantir oxigenação e ventilação adequadas, reduzir o trabalho respiratório, minimizar o aprisionamento de ar e o auto-PEEP, evitar o barotrauma e volutrauma, e permitir tempo para que a terapia broncodilatadora e anti-inflamatória faça efeito.

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