Diagnóstico e Manejo da Hanseníase: Guia para Residentes

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 46 anos, vendedora ambulante, procura seu médico de família e comunidade, queixando-se de uma mancha vermelha localizada no pé esquerdo, que apareceu há mais de 1 ano e para a qual já fez diversos tratamentos prescritos por outros médicos; porém, sem melhora. Percebeu que a mancha vem aumentando de tamanho e isso vem lhe causando preocupação. Mora com seu esposo e dois filhos, adolescentes, mas nenhum deles apresenta lesões de pele. Não faz tratamento para nenhum problema de saúde. O exame dermatoneurológico, evidenciou mácula avermelhada com limites precisos na região dorsal do pé esquerdo com cerca de 3cm de diâmetro e ausência de sensibilidade ao frio (teste com algodão embebido em éter versus algodão seco). O restante do exame não mostrou qualquer outra alteração. Analise as afirmativas a seguir: I. Para a conclusão do diagnóstico de hanseniase é necessária a realização da baciloscopia. II. A gravidez e o aleitamento materno não contraindicam o uso da poliquimioterapia. III. Pessoas HIV positivas devem ter o tratamento com poliquimioterapia mantido. Está(ão) correta(s) a(s) seguinte(s) afirmativa(s):

Alternativas

  1. A) Apenas I.
  2. B) Apenas II.
  3. C) Apenas III.
  4. D) Apenas I e II.
  5. E) Apenas II e III.

Pérola Clínica

Hanseníase = Diagnóstico Clínico (lesão + perda de sensibilidade). PQT é segura na gestação e HIV.

Resumo-Chave

O diagnóstico de hanseníase é essencialmente clínico, baseado em lesões cutâneas com alteração de sensibilidade. O tratamento com PQT não deve ser interrompido ou evitado em gestantes ou imunossuprimidos.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alta endemicidade no Brasil. O foco do programa nacional é o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno para prevenir incapacidades físicas. O exame dermatoneurológico sistemático é a ferramenta diagnóstica mais importante. A poliquimioterapia (PQT) é eficaz e segura, sendo a base do controle da transmissão na comunidade.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de hanseníase?

O diagnóstico de hanseníase no Brasil é primordialmente clínico. Ele é estabelecido pela presença de pelo menos um dos seguintes sinais: 1) Lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa ou tátil); 2) Espessamento de tronco nervoso periférico, associado a alterações sensitivas ou motoras; 3) Baciloscopia positiva para M. leprae. A perda da sensibilidade térmica (ao frio e calor) costuma ser a primeira alteração detectada.

A PQT pode ser usada durante a gravidez e amamentação?

Sim. A poliquimioterapia (Rifampicina, Dapsona e Clofazimina) é considerada segura tanto para a gestante quanto para o feto. O tratamento não deve ser interrompido, pois a hanseníase pode piorar durante a gestação e o puerpério devido às oscilações imunológicas, aumentando o risco de reações hansênicas. A amamentação também é permitida e incentivada.

Como manejar o paciente com Hanseníase e HIV?

Pacientes vivendo com HIV/AIDS que desenvolvem hanseníase devem receber o mesmo esquema de poliquimioterapia (PQT) que os demais pacientes. Não há contraindicação ao uso concomitante da PQT com a Terapia Antirretroviral (TARV). É importante monitorar a ocorrência da Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (IRIS), que pode se manifestar como uma reação hansênica após o início da TARV.

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