PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Paciente de 30 anos vem à consulta com queixa de corrimento e sangramento associado à relação sexual. Sem outras queixas. Nega doenças prévias. 2 gestações anteriores sem intercorrências no pré-natal ou parto. Fez laqueadura tubárea. Ao exame apresenta colo uterino hiperemiado e sangrante ao toque da espátula com secreção mucoide turva. Ao toque bimanual não apresenta dor à mobilização do colo ou à palpação dos anexos. Assinale a alternativa correta segundo os novos fluxogramas do Ministério da Saúde para ISTs, 2021:
Colo hiperemiado + friável + secreção mucoide = Cervicite → Tratar Clamídia + Gonococo (Ceftriaxona + Azitro).
O manejo sindrômico das cervicites visa cobrir os principais agentes etiológicos (clamídia e gonococo) para prevenir complicações graves como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e infertilidade.
A cervicite representa a inflamação da mucosa endocervical, sendo causada majoritariamente por patógenos bacterianos transmitidos sexualmente. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, e o tratamento não deve ser retardado pela espera de exames laboratoriais, seguindo a lógica do manejo sindrômico. A importância do tratamento imediato reside na prevenção da ascensão dos patógenos ao trato genital superior, o que pode resultar em endometrite, salpingite e, por fim, na Doença Inflamatória Pélvica (DIP), uma causa importante de dor pélvica crônica e gravidez ectópica.
Os sinais clássicos incluem a presença de secreção endocervical (mucoide, purulenta ou turva), edema de ectopia, e principalmente a friabilidade do colo uterino (sangramento ao toque da espátula ou cotonete). Sintomas como sinusorragia (sangramento pós-coito) e dispareunia de profundidade também são frequentes.
Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de 2021, o tratamento para cervicite deve cobrir Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis simultaneamente. O esquema de escolha é Ceftriaxona 500mg IM (dose única) associada a Azitromicina 1g VO (dose única).
O tratamento dos parceiros sexuais dos últimos 60 dias é fundamental e deve ser realizado mesmo que estejam assintomáticos. A abordagem deve incluir a oferta de testagem para outras ISTs (HIV, Sífilis, Hepatites) e orientações sobre práticas sexuais seguras para evitar a reinfecção.
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