Vazamento Biliar Pós-Colecistectomia: Diagnóstico e Tratamento

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 42 anos, é submetida à colecistectomia laparoscópica após quadro de colecistite aguda. Assintomática, teve alta no dia seguinte ao procedimento. Retorna no sexto dia pós-operatório, estável, porém com queixas de anorexia, desconforto abdominal, febre baixa e secreção de aspecto bilioso através de uma das cicatrizes dos portais da laparoscopia. Tomografia computadorizada de abdômen mostra uma coleção no hipocôndrio direito, sugerindo líquido biliar. Dentre as alternativas a seguir, qual é a melhor terapêutica inicial para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia isolada.
  2. B) Laparoscopia diagnóstica para lavagem da coleção.
  3. C) Colangiografia endoscópica retrograda e punção percutânea da coleção.
  4. D) Laparotomia imediata para lavagem da cavidade e avaliação do local da cirurgia.

Pérola Clínica

Vazamento biliar pós-colecistectomia → CPRE para selar fístula + drenagem percutânea da coleção.

Resumo-Chave

A secreção biliosa e a coleção no hipocôndrio direito após colecistectomia sugerem vazamento biliar. A CPRE é essencial para identificar e tratar a fístula (ex: com stent), enquanto a punção percutânea drena a coleção, aliviando sintomas e prevenindo complicações.

Contexto Educacional

A colecistectomia laparoscópica é um procedimento comum e seguro, mas, como qualquer cirurgia, pode ter complicações. O vazamento biliar é uma das complicações mais sérias, ocorrendo em cerca de 0,3% a 1% dos casos, geralmente devido a lesão iatrogênica dos ductos biliares ou vazamento do coto cístico. A apresentação clínica pode variar, mas frequentemente inclui dor abdominal, febre, anorexia e, em casos de bilioma, secreção biliosa externa ou coleção intra-abdominal. A tomografia computadorizada é útil para identificar coleções líquidas, mas a colangiografia é essencial para confirmar o vazamento biliar e identificar sua origem. A Colangiografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) é a modalidade de escolha para o diagnóstico e tratamento do vazamento biliar. Ela permite a visualização direta do sistema biliar e a realização de intervenções terapêuticas, como a colocação de um stent no ducto biliar comum para desviar o fluxo de bile e promover o fechamento da fístula, ou a esfincterotomia. Concomitantemente à CPRE, a drenagem percutânea da coleção biliar (bilioma) é crucial. Isso alivia a pressão, remove o meio de cultura para bactérias e permite a resolução dos sintomas. A combinação de CPRE e drenagem percutânea é a abordagem inicial mais eficaz e menos invasiva para a maioria dos vazamentos biliares pós-colecistectomia, evitando a necessidade de reintervenção cirúrgica em muitos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de vazamento biliar pós-colecistectomia?

Os sinais e sintomas incluem dor abdominal, febre, anorexia, náuseas, vômitos, icterícia (em casos de obstrução), e a presença de secreção biliosa através das incisões cirúrgicas ou em drenos. A formação de um bilioma pode causar distensão abdominal e desconforto.

Qual o papel da CPRE no manejo do vazamento biliar?

A CPRE é fundamental para diagnosticar a localização e a causa do vazamento biliar. Além disso, permite o tratamento endoscópico, como a colocação de um stent biliar para reduzir a pressão no ducto biliar e promover o fechamento da fístula, ou a esfincterotomia.

Por que a drenagem percutânea é importante no tratamento de coleções biliares?

A drenagem percutânea é crucial para evacuar a coleção biliar (bilioma), que pode causar dor, infecção e compressão de estruturas adjacentes. A drenagem alivia os sintomas, controla a infecção e permite a cicatrização da fístula biliar.

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