Vasoplegia Pós-CEC: Diagnóstico e Manejo

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 39 anos de idade, com insuficiência renal crônica dialítica, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 55%, foi submetida à troca valvar mitral por endocardite bacteriana subaguda, sem intercorrências. No pós-operatório imediato, apresenta-se hipotensa e com baixo débito pelo dreno torácico, pressão venosa central e pressão capilar pulmonar normais, índice cardíaco aumentado. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Tamponamento cardíaco; re-exploração cirúrgica.
  2. B) Hipovolemia pós-operatória; reposição volêmica.
  3. C) Disfunção ventricular; dobutamina.
  4. D) Vasoplegia pós-circulação extracorpórea; noradrenalina.

Pérola Clínica

Hipotensão + PVC/PCP normais + IC ↑ pós-CEC → Vasoplegia = Noradrenalina.

Resumo-Chave

A vasoplegia pós-circulação extracorpórea é uma forma de choque distributivo caracterizada por vasodilatação sistêmica, resultando em hipotensão apesar de um índice cardíaco normal ou aumentado e pressões de enchimento normais. O tratamento inicial envolve o uso de vasopressores como a noradrenalina.

Contexto Educacional

A vasoplegia pós-circulação extracorpórea (CEC) é uma síndrome de vasodilatação sistêmica que ocorre em até 20% dos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com CEC, sendo mais comum em pacientes com insuficiência renal crônica, uso prévio de inibidores da ECA ou bloqueadores dos receptores de angiotensina. Sua importância clínica reside na morbimortalidade associada à hipotensão refratária e à necessidade de suporte vasopressor prolongado. Fisiopatologicamente, a vasoplegia envolve a liberação de mediadores inflamatórios e óxido nítrico, levando à disfunção endotelial e perda do tônus vascular. O diagnóstico é clínico-hemodinâmico, caracterizado por hipotensão (PAM < 65 mmHg) com pressões de enchimento cardíacas (PVC, PCP) normais ou elevadas e um índice cardíaco normal ou aumentado, diferenciando-a de outras formas de choque. O tratamento da vasoplegia pós-CEC é focado na restauração do tônus vascular. A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha, podendo ser associada a vasopressina ou azul de metileno em casos refratários. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para evitar complicações como disfunção orgânica e óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de vasoplegia pós-circulação extracorpórea?

Hipotensão persistente, apesar de pressões de enchimento cardíacas normais ou elevadas, e um índice cardíaco normal ou aumentado, indicando vasodilatação sistêmica.

Qual a conduta inicial para vasoplegia pós-CEC?

A conduta inicial envolve a administração de vasopressores, sendo a noradrenalina a droga de primeira escolha para restaurar o tônus vascular e a pressão arterial.

Como diferenciar vasoplegia de choque hipovolêmico ou cardiogênico?

A vasoplegia se distingue por pressões de enchimento normais e índice cardíaco normal/alto, enquanto o choque hipovolêmico tem pressões de enchimento baixas e o choque cardiogênico tem índice cardíaco baixo.

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