INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Menino de 7 anos é levado à unidade de pronto atendimento com dor abdominal intensa e febre intermitente nos últimos 3 dias. Segundo relato da mãe, ele apresentou um quadro gripal há cerca de uma semana. Ao exame físico, o paciente apresenta púrpura palpável localizada principalmente nos membros inferiores e nas nádegas, além de edema nos tornozelos e dor nas articulações dos joelhos e cotovelos. A dor abdominal é difusa e não é aliviada com analgesia simples. Testes laboratoriais mostram proteinúria leve e hematúria microscópica. A hipótese diagnóstica, com justificativa correta para o caso, é
Criança com púrpura palpável (MMII/nádegas), dor abdominal, artralgia/edema articular e acometimento renal (proteinúria/hematúria) após infecção → Vasculite por IgA (Henoch-Schönlein).
O quadro clínico do menino de 7 anos é clássico para vasculite por imunoglobulina A (púrpura de Henoch-Schönlein), que se manifesta com púrpura palpável (especialmente em membros inferiores e nádegas), dor abdominal, artralgia/edema articular e envolvimento renal (proteinúria e hematúria microscópica). A história de um quadro gripal prévio é um gatilho comum para essa vasculite de pequenos vasos.
A vasculite por imunoglobulina A (IgA), anteriormente conhecida como púrpura de Henoch-Schönlein, é a vasculite sistêmica mais comum na infância. Caracteriza-se por uma vasculite de pequenos vasos mediada por depósitos de IgA, afetando principalmente a pele, articulações, trato gastrointestinal e rins. A doença é frequentemente precedida por uma infecção do trato respiratório superior, como um quadro gripal, que atua como gatilho imunológico. A idade de pico de incidência é entre 2 e 10 anos. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de púrpura palpável (lesões cutâneas elevadas que não desaparecem à digitopressão, predominantemente em membros inferiores e nádegas), acompanhada de pelo menos um dos seguintes: dor abdominal (tipo cólica, podendo ser grave), artralgia ou artrite (principalmente em grandes articulações como joelhos e tornozelos) e/ou envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O acometimento renal é a principal causa de morbidade a longo prazo e requer monitoramento cuidadoso. O tratamento é geralmente de suporte, com analgésicos para dor e repouso. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal grave ou artrite incapacitante, e em casos de envolvimento renal progressivo. É fundamental que residentes e estudantes de medicina estejam familiarizados com as manifestações clínicas e o manejo da vasculite por IgA, pois o reconhecimento precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para prevenir complicações, especialmente as renais, e diferenciar de outras condições que podem mimetizar a doença.
As manifestações clássicas incluem púrpura palpável (principalmente em membros inferiores e nádegas), dor abdominal (tipo cólica, podendo mimetizar abdome agudo), artralgia ou artrite (joelhos e tornozelos são comuns) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). Um quadro infeccioso prévio é um gatilho comum.
O acometimento renal na vasculite por IgA se manifesta como hematúria (microscópica ou macroscópica) e/ou proteinúria, e pode variar de leve a grave. É a complicação mais séria a longo prazo, podendo evoluir para doença renal crônica em uma pequena porcentagem dos pacientes, sendo crucial o monitoramento da função renal.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem outras vasculites (como poliarterite nodosa cutânea), lúpus eritematoso sistêmico, meningococcemia (que pode ter púrpura, mas com sinais de sepse), e reações a medicamentos. A combinação de púrpura palpável com dor abdominal, artralgia e envolvimento renal é altamente sugestiva de vasculite por IgA.
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