SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Menina, 7 anos de idade, é trazida ao consultório com manchas vermelhas nas pernas e glúteos, que começaram há três dias. São pequenas manchas e micronódulos de cor púrpura ou vermelho-arroxeada que têm uma textura palpável ao toque. A mãe relata que a criança também se queixou de dores nas articulações e cólicas abdominais e uma única ocorrência de hematúria macroscópica.Indique o achado mais provável no Hemograma dessa paciente, com referência às plaquetas:
Púrpura de Henoch-Schönlein = Púrpura palpável + Plaquetas NORMAIS ou ↑.
A Púrpura de Henoch-Schönlein (Vasculite por IgA) é uma vasculite de pequenos vasos que, diferentemente das púrpuras hematológicas, cursa com contagem de plaquetas normal ou elevada (trombocitose reacional).
A Púrpura de Henoch-Schönlein, agora preferencialmente chamada de Vasculite por IgA, é a vasculite mais comum na infância. Sua fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo IgA1 deficiente em galactose nas paredes de pequenos vasos (vênulas, capilares e arteríolas). Clinicamente, manifesta-se após infecções de vias aéreas superiores em 50% dos casos. O achado de plaquetas normais é um critério de exclusão fundamental para outras causas de púrpura. O tratamento é majoritariamente de suporte, com foco em analgesia e hidratação. O uso de corticoides é controverso, sendo reservado para casos de dor abdominal intensa ou envolvimento renal significativo, embora não previna a progressão da doença renal a longo prazo.
A característica laboratorial definidora da Púrpura de Henoch-Schönlein (Vasculite por IgA) em relação às plaquetas é a ausência de trombocitopenia. Diferente de desordens como a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI), na PHS as plaquetas estão em níveis normais ou podem estar elevadas (trombocitose reacional) devido ao processo inflamatório sistêmico. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de púrpura palpável, dor abdominal e artralgia, mas o hemograma é essencial para excluir causas hematológicas de sangramento cutâneo.
A diferenciação baseia-se na palpação e nos exames laboratoriais. A PHS apresenta lesões palpáveis, geralmente em membros inferiores e glúteos, sem relação com trauma. Laboratorialmente, o hemograma mostra plaquetas normais, enquanto na PTI há trombocitopenia isolada e na meningococcemia há sinais de sepse e plaquetopenia de consumo. Além disso, a PHS frequentemente associa-se a hematúria e dor abdominal tipo cólica por vasculite de vasos mesentéricos.
As complicações mais temidas são a nefrite por IgA e a intussuscepção intestinal. A nefrite pode variar de hematúria microscópica isolada até síndrome nefrótica ou insuficiência renal progressiva. No trato gastrointestinal, o edema de alça e o sangramento submucoso podem servir de ponto de partida para intussuscepção ileoileal ou ileocólica, exigindo monitoramento rigoroso e, por vezes, intervenção cirúrgica ou redução por enema.
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